Posted by : Roberta Caroline domingo, 29 de setembro de 2013

O anime de Shingeki no Kyojin acabou essa semana, e eu não poderia deixar de comentar aqui no KaS sobre uma das maiores sensações da comunidade yuristica dos últimos tempos, o shipping lésbico entre Christa e Ymir. O que intriga é o enorme sucesso das duas não apenas na fanbase da série, mas que tomou de arroubo toda a comunidade. Em qualquer tumblr destinado a cultura yuri (“cultura yuri” não é um termo que soa muito legal e chique? Huehuehuehu) você vai ver imagens das duas sendo viralizadas. É instigante o fato de que nem no anime, nem no mangá, elas terem um relacionamento explicito. Aliás, as duas mal aparecem (!).

Pode-se dizer que shippers (Shippers e a Incrível Arte de Incomodar os Outros) são assim mesmo, incorrigíveis. Mas não acredito que seja tão simples e sim que se trata de algo sintomático. Vamos traçar um paralelo entre Madoka Mágica (2011) e Shingeki no Kyojin (2013), no espaço de tempo entre as duas séries, outros incontáveis animes também abordaram, de modo explicito e implícito, relacionamentos lesbos. Apesar disso, fora essas duas séries, nenhuma outra teve uma repercussão tão grande quanto aos seus casais românticos do sexo feminino.

O que eu percebo é que, fora algumas exceções, como Shizuma x Nagisa (Strawberry Panic!), Himeko x Chikane (Kannazuki no Miko), casais yuris/shoujo-ai tendem a ter uma recepção muito polarizada dentro da comunidade. O que se justifica pelo fato de ser um produto que tem como publico alvo essa própria fanbase, criando uma divisão. Já Madoka Mágica e Shingeki no Kyojin não são voltados para o demográfico yuri, embora ambos possuam conotações obvias. O fato de serem obras que não giram especificamente em torno do relacionamento gay e não serem graficamente explícitos dá o gás necessário para que o fandom utilize toda a sua criatividade imaginativa. Shipping não é algo que surge por acaso, ele é plantado implicitamente justamente para fazer o fandom reagir. Fandom este, que mantêm qualquer série viva e em alta através de diversos elementos estrategicamente plantados nas tramas. Como se diz, o melhor medidor de popularidade de uma série é a sua fanbase.


Porém, são elementos que precisam ser bem manuseados. A relação de um artista com seu público devem ser um tanto quanto fetichista. Ele precisa saber instiga-lo na mente do leitor, fazer com que ele fantasie. O processo de provocar e não ceder, de mostrar um pouco e deixar o resto para a imaginação. Claro, muitos animes tentam fazer o mesmo, como o recente  e execrável Vividred Operation, e num caso mais extremo, Moyashimon, e o motivo de passarem batidos até mesmo pelo carente [de animes] fandom yuri, são diversos e nem cabem aqui.

Voltando à Chista e Ymir, ainda que apareçam pouco e não seja nada explicito, é obvio a relação homossexual existente entre as duas. Mesmo que elas ainda não tenham consumido o ato, há uma vibe. O mais gozado, é que no que se refere ao anime, tanto uma como a outra, só tiveram duas aparições de destaque. Ainda assim, as duas são construídas como um casal clássico yuri; a uke e a seme, a princesa e a príncipe. E cada uma delas desempenha um papel especifico dentro desse arquétipo; Ymir, assim como nossa amada Haruka de Sailor Moon, é mais masculina e ciumenta e está sempre com os olhos em seu chaveirinho. Christa é mais feminina e delicada, e apesar de parecer o elemento mais frágil, na verdade é a que se mostra mais independente da Ymir e sempre com as atitudes mais sensatas, assim como Michiru, também de Sailor Moon. Cito a dupla de Sailor Moon porque ambas são construídas em cima do arquétipo yuri clássico, embora tenham todo um desenvolvimento bastante abrangente. Esse padrão arquétipo diverte (como se nota, no caso de Shingeki, não é apenas Ymir e Christa que se destaca, muito pelo contrário. E muito disso porque são personagens arquétipos), faz o público brincar junto e criar diversas situações divertidas entre os personagens, romance, novas histórias, como podem ver pelas tirinhas abaixo.










O que acho engraçado na Ymir e me faz gostar muito dela é o fato de ser a figura mais durona, mas quando está diante de Christa, se torna extremamente extrovertida e boba. Quando está distante, pergunta por ela, procura por ela, fica olhando-a de rabo de olho. Ymir está louca de amores por Christa, que por sua vez, demonstra que há uma relação intimista entre as duas, aquela coisa de olhar, de entender a forma de se expressar do outro, dispensando formalidades. De cumplicidade. Só que, a que eu gosto mais é Ymir, que com uma personalidade bruta, só deixa transparecer seu melhor lado frente à Christa. Tem uma parte muito legal no mangá (e também no anime, só que sem as mesmas nuances), em que Sasha esfomeada, ao ver Christa lhe trazer um pão, começa-a chama-la de deusa, e encosta a cabeça em seu colo, o que parece provocar a ira de Ymir, que não desce do salto, mas tem atitudes ~tsuntsun~ ao lhe fazer questionamentos sarcásticos do porque ela estava ajudando Sasha. Era para se sentir melhor? Se sentir uma boa pessoa? A doce Christa, claro, desconcertada começa a questionar a si mesma. O que a deixa ainda mais moe. Como podem ver, são ações e reações muito próprias de romances yuris. Como Shingeki é uma obra cheia de incógnitas, é provável que essa sequência revele outras motivações, mas não deixa de ser curioso ver também por este lado.


Há quem defenda que de fato elas têm um caso, mas a única coisa certa é que há química e principalmente clima romântico. Se está rolando ou não, não é tão importante para o público, que só precisa perceber uma pequena fagulha de sentimentos para que comecem a fantasiar. E o autor de Shingeki, ao mostra-las poucas vezes na história, mas sempre com ações suspeitas e um relacionamento de cumplicidades (mais a frente no mangá isso vai ficar mais claro), faz com que o fandom sonhe e fantasie, e principalmente, desenhe essas fantasias. No fundo, uma relação pouco explorada num enredo de uma história, ou ao menos, não explicita graficamente, dá pano pra manga. Se o relacionamento entre Madoka e Homura fosse explicito, o publico não encontraria tantos motivos para criar, imaginar, desenhar. No caso dessas duas, foi o público que deu forma ao universo romântico entre Homura e Madoka, com um estouro tão grande, que hoje em dia, mesmo quem está fora dessa fanbase, encontra dificuldade em não vê-las como um casal. É o caso em que o próprio fadom pode afetar os rumos do que será visto no vídeo e produtos relacionados. Aliás, graças a esse fandom, muitos dizem que Madoka é a religião do lesbiano; e temos muitos casos assim onde o fandom faz nascer uma nova perspectiva de se encarar personagens, casos como o de Magical Girl Lyrical Nanoha. No fundo, todo mundo tem um pouco de shipper dentro de si, e o fandom só precisa de ajudinha do autor para criar um universo todo próprio e isso é fantástico. 


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8 Responses so far.

  1. Betinha!

    Impressão minha ou você leu o mangá? Bem, seja como for, é bem esse o ponto mesmo, o fandom acaba afetando muito a forma como a coisa é vista (eu por exemplo, ainda exito em assistir/ler Hetalia por motivos de fandom...), e esses casais acabam sendo mais um fator para a série ter sucesso, logo, é uma atitude inteligente por parte do autor estimular essas relações.
    Falando de Ymir e Christa propriamente, concordo totalmente com você, elas são um casal clássico do meio yurístico, o clima entre elas é exatamente o que se esperaria, e pelos spoilers que peguei (muitos mesmo!) sei que elas tem muito ainda para mostrar. Se já leu o mangá sabe do que estou falando, e essas duas ainda protagonizarão muitas cenas yuri para nós, duhuhuhu...

    Bom, até o próximo post, aqui ou lá!

  2. pois é, exatamente por aparecerem tão pouco, não tem tempo pra negar o relacionamento, assim os fãs piram mais ainda :3

  3. Sim, Fellipe, comecei a ler o mangá faz pouco tempo, mas ainda estou bem distante dos atuais. Apesar disso, com relação a essa dupla, na caça de fanarts delas, tempinho atrás acabei de deparando com um spoiler foda, hehueuheehuehue.

  4. :o
    Beta com sua foto no avatar. O mundo mudou tanto desde que saí do twitter?

  5. Angélica says:

    OMG! A Beta posta em outros lugares!Até que é bom lembrar que o Facebook existe de vez em quando; não fosse por ele eu nunca iria saber, rss.
    ON TOPIC: Esse ship da Ymir e da Krista é mesmo impressionante, pela tamanho que acabou tomando. Como você mesma disse, o fandom influenciou tanto a coisa que hoje é quase impossível ver as duas como não sendo um casal.
    *PEQUENO SPOILER DO MANGÁ (AKA SEM REVELAÇÕES IMPORTANTES)*
    Em um certo momento, nos capítulos mais recentes, o Reiner, o cenossão-mor da série, não só admite de uma vez que tem uma queda pela Krista, como diz que acha que ela está a fim dele. Lembro que, quando esse capítulo saiu, o fandom shipper ficou em polvorosa, tipo "bitch, please!", rsrsrs
    *FIM DO SPOILER*

    Aliás, pensando na série como um todo, Shingeki tem uma quantidade de ships impressionante, sejam eles yuri, yaoi ou comuns. Acho que a causa disso é a combinação de dois fatores:
    1)A base de SnK não são seus personagens, nem uma história ricamente elaborada, mas seus mistérios. A graça toda em acompanhar a série está em ficar especulando sobe o porquê das coisas, sobre o que irá acontecer em seguida, qual será a próxima reviravolta. Assim sendo, nenhum personagem é bem desenvolvido (nem mesmo o protagonista), e o autor apenas solta pequenas cenas e momentos com cada um deles, a partir dos quais podemos tentar inferir sobre suas personalidades e motivações. Como você disse, todo o ship é feito principalmente pela imaginação dos fãs; no caso dos personagens de SnK, é como se o Isayama desse um livro de colorir para cada fã e dissesse: Complete como quiser!
    2) Não sei se é de caso pensado ou não, mas Shingeki está cheio de pequenas cenas que, embora não insinuem nada de maneira clara, parecem plantadas sob medida para instigar a mente dos(as) shippers de plantão. Krista e Ymir, assim como Jean e Marco, Levi e Irwin/Eren/Hanji, Armin e Annie, Eren e Armin, e todas as outras dezenas de ships da série surgiram a partir de momentos singelos, sem a menor conotação romântica/sexual, mas que foram mais do que suficientes para instigar a imaginação do fandom.

  6. Me descobriu, Angelica! huehuehuehueehuehu

    Os personagens não serem totalmente expostos ao público também aumenta a áurea de mistério da história, afinal, tirando Eren e Mikasa e Armin, qualquer um ali pode não ser exatamente o que pensamos ser.

    Essa sutileza com relação a romance é um dos pontos fortes, porque realmente a obra não abre espaço pra desenvolvimento de tramas paralelas, logo, romances também não são desenvolvidos, tudo fica naquele "clima", que o fandom sente e trata de imaginar o resto huehuehueehue. Acho uma boa jogada, é funcional e ao mesmo tempo é algo feito muito bem, porque pro amor, os sinais do corpo são mais do que suficientes pra se passar a mensagem. Aposto que tem muita gente que acompanha também pelo shipping, mas acredito que este lado desenvolvido nem mesmo na última página do mangá. Vai ficar no "quero mais" XD

  7. Angélica says:

    Hehehe, concordo. E, para completar, o Isayama me taca umas cenas dessas de quando em vez:

    http://imageshack.com/a/img833/7021/v0je.jpg

    Daí as/os shipper pira, rsrsrs.

  8. CHOREI ESSA IMAGEM HUEHUEHUEEHUEHUEHUEHUEHUEHEUEHUEHUEHUEHUEHUEHUEHUEHUEE REPARA SÓ NO SEMBLANTE DELE, AS SOBRANCELHAS ARQUEADAS, HAHAHAA. Certamente estava pensando na Christa quando falou isso XP

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