Archive for 01/07/09 - 01/08/09

Tales of the Revolution 04

by Mazaki


Revolution 04: Tempo de mudança
                A pequenina criatura esperava naquele confortável e aconchegante buraco no tronco da árvore, no pequeno parque próximo a estação de trem da cidade. Era de manhã e poucas pessoas passavam por ali, no máximo estudantes conversando animadamente indo para a escola, sorte a sua que não havia sido notado por ninguém, por que com certeza isso teria causado um incomodo tumulto como o da última vez que havia conhecido a prisão junto com sua amável dona. Realmente os humanos são estranhos, fazendo confusão desnecessária.
                Alias, onde estava sua dona naquele momento? Nunca havia passado uma noite sem sua amada criadora, ainda bem que era bem adulto e não tinha medo por coisas bobas, mas de todo modo se preocupava com ela: estaria bem? Talvez tivesse sido presa por algum motivo aleatório!! Ou pior.... dormido na rua, por ai.... isso o assustou muito realmente. Tinha que procurá-la! Ele era afinal o guardião dela! Como ousava ter repousado tranquilamente (nem tãaaao tranquilamente assim) naquele confortável buraquinho sem saber onde sua dona estava??? Droga, mais um pouco e poderia chamar-se de rato, apesar de que algumas pessoas já o haviam chamado assim, mesmo sem ele entender o porquê.
                Sacudiu a poeira da noite paradinho ali na árvore e olhou ao redor, talvez tivesse e procurar um bocado, mas com certeza a encontraria! Nossa, por que tudo nos últimos tempos tinha que resultar em uma busca? Provavelmente tinha adquirido a mania da dona, é o que dá dividir a cama por tantos anos:
                - Ele deve estar em algum lugar por aqui, tenho certeza. – escutou uma voz calma falando de um pouco mais além da árvore, ele se assustou porque estava prestes a saltar para o chão e teve que se segurar abruptamente. Estaria enrascado se as pessoas o levassem para o tão abrigo de animais! Mas, aquela voz........?
                - Como é que consegue saber a localização dele assim Himemiya? – perguntou outra voz feminina mais forte. O animal se arrepiou totalmente ao escutar aquilo. Não podia, simplesmente Não podia acreditar no que tinha escutado!!! Depois de tanto tempo! De tantas aventuras perigosas que enfrentara com sua dona.... finalmente... não podia acreditar!!
                Esperou durante mais alguns instante escondido até que Anthy Himemiya e Utena Tenjou entraram no seu campo de visão, andando lado a lado, como há tantos anos atrás. Estavam mais velhas agora, mas ainda assim tinham a mesma aura de antes, andando lado a lado, procurando de um lado para o outro por algo.... algo? Estavam procurando por ele! E ele esteve os últimos anos todos esperando por aquele momento!! Sim, era a Utena!!!
                - CHUUUUUUUUUU!!!! – berrou o pequenino macaco saltando da árvore direto para cima da cabeça da garota que se protegia do frio com um blusão grosso. Utena quase berrou ao ver a forma arroxeada vindo na sua direção, mas seu jeito ‘príncipe’ a impedira. Anthy abriu um enorme sorriso ao ver a amiga quase cair no susto.
                - Chuchu!!! – berrou a garota de cabelos rosa agarrando o animalzinho e abraçando com sua força descomunal, fazendo o bichinho até reclamar em meio aos berros de alegria. – Que bom te ver Chuchu!!
                - CHUU!! – concordou o macaquinho balançando os bracinhos de cima da mão da garota. Ele guinchava sem parar olhando para Himemiya e Utena, estava realmente feliz demais.
                - Sim chuchu! Encontramos! – concordava Anthy feliz, demonstrando como dividia a alegria e agitação da mascote. Realmente aquecia o coração da ‘príncipe’ ver como sua princesa tinha crescido. Sua?! Desde quando ela achava que Himemiya a pertencia?! Que tipo de pertencer era aquele?! Bem, se fosse de um modo um pouco diferente do que na época que ela era a Noiva da Rosa.... hein?! Mas que diaxo estava pensando afinal??
                Depois de alguns minutos de agitação os três se sentaram na grama para comer os sanduíches que a morena misteriosamente preparara, mesmo sem Utena saber quando (ela dormia?). Comeram um bocado antes de a própria puxar o assunto mais urgente a ser tratado, com o Chuchu(?!):
                - Chuchu.... eu e a Utena precisamos te dizer algo... – a outra engoliu em seco, sabia que o macaquinho não seria nada a favor do que elas haviam decidido. – É sobre o Fim do Mundo...
                Utena observou calada enquanto a outra resumia o fato de que estavam novamente muito encrencadas, e que aquilo afetaria ele, Chuchu, também, de um modo que ele não iria gostar nada:
                - Por isso, Chuchu, não queremos que você corra riscos, não deve viajar conosco. – terminou Anthy esperando a pancada atingi-la. E esta veio, na forma dos berros de protesto do macaco. Chuchu incrivelmente parecia ter até esquecido da comida para reclamar, a mais alta não conseguia entender a linguagem dele como Himemiya, mas tinha certeza de que estava protestando veemente contra deixá-las enfrentar aquele perigo todo sozinhas.
                - Eu sei que você é muito importante durante essa batalha Chuchu, mas não é disso que estamos falando... – argumentava a morena, realmente era uma cena no mínimo pitoresca, ver a mulher e o macaco discutindo o que fariam para enfrentar um homem tão poderoso que era conhecido como o Fim do Mundo. Alias que mulher linda era aquela que discutia com o animal. HEIN?!?! “DESDE QUANDO EU VIREI RETARDADA????”.
                -Chuuuu..... – Chuchu realmente não estava conformado, pra falar a verdade as duas garotas também não. Sentia tantas saudades daquela época que os três eram como uma família que o desejo delas era de poder reviver logo aqueles tempos, porém.... não faria sentido algum reviver aquilo se fosse fugindo do Fim do Mundo, enfrentando constantemente o perigo da morte.
                - Chuchu, tudo o que queremos é acabar logo com tudo isso.... – tentou confortar Utena, sendo realmente sincera. – Não sabe como eu quero poder logo voltar àquela nossa rotina boba, mas tão divertida. – completou sorrindo, sorriso que pareceu acalmar um pouco o animalzinho.
                Apesar de saberem que corriam risco quanto mais demorassem a partir daquela cidade, elas deixaram as horas daquela manhã correr sem pensar muito. Ficaram ali com Chuchu, brincando, conversando e rindo. Era como se Utena e Anthy tivessem firmado um pacto sem palavras de reviverem um pouco o passado antes de enfrentar o duro futuro que as esperava logo à frente.
                Para Utena, poder novamente sentir aquela sensação de conforto, como quando se esta com sua família, seus entes mais queridos, era reanimador. Havia tido sonhos nada agradáveis na última noite, flash de lembranças terríveis e cenas imaginárias de um destino não muito melhor. Naquele momento tudo o que queria era desfrutar do seu milagre, da companhia de Anthy, de seus sorrisos agora tão mais leves, de suas palavras que soavam tão belas aos seus ouvidos, não importa quais eram. Era ela, que tanto queria libertar, a pessoa que a fazia ter se tornado o que era, um projeto mal acabado de príncipe, ou simplesmente uma garota com idéias completamente alheias a realidade do mundo.
                Anthy sentia o coração aquecido de uma felicidade pura, o sentimento que tanto esperara durante esses anos de busca. Tantas coisas passou por aquilo, desde o começo na verdade. Desde que se tornara a Noiva da Rosa ela esperou, esperou apenas para poder ser feliz. Por muito tempo deixou de acreditar que a felicidade era possível para todos, afinal vivia na mais cruel prisão, para sua alma e seu corpo. Mas aquela garota revolucionária tivera a coragem de mudar seu destino.... para salvá-la.
                - Er.... Himemiya? – chamou sem jeito a garota de cabelos rosados, vendo o olhar perdido da outra na direção dela se prolongar por longos minutos.
                - S-Sim?! – estalou a garota corando, apesar de a sua pele morena disfarçar bem o rubor.
                - Er.... – Utena notou do mesmo modo desajeitado da outra, ficando também envergonhada por isto. – Talvez.. seja melhor nos apressarmos, não acha?
                - O que? – Anthy olhou rapidamente o relógio, percebendo que já passava da metade do dia. – Nossa! O tempo passou rapidamente mesmo! – surpreendeu-se.
                Chuchu ficou instantaneamente com uma cara tristinha, deitado na perna de Utena que sentiu uma dorzinha no coração. Por mais que amassem o Chuchu... alias, exatamente por amá-lo, elas tinham que ir sozinhas. Rapidamente Himemiya guardou tudo o que haviam espalhado e pegou o macaco no colo:
                - Chuchu, sei que vai saber encontrar seus amigos, então fique com eles até que tudo tenha passado. – pediu a garota séria para o animal.
                - Chu... – concordou emburrado Chuchu.
                - Chuchu... nos te amamos... ta? – disse Utena. Droga, como logo ela, uma garota durona estava tão afetada por aquela despedida? Bom, talvez o sentimento forte que tinha pela pequena mascote fosse o culpado, ele era quase um filho, tão próximo, tão amoroso.... “Droga! Controle-se Utena!”.
                O macaquinho ficou sem palavras diante da declaração da garota, parecia que se ficasse muito parado as lágrimas escorreriam do seu rostinho. Então sem dizer nada ele pulou na árvore e partiu pelas copas o mais veloz que pode, sem nem parar para um último olhar:
                - Assim até eu ia chorar Utena... – comentou com um sorrisinho triste Anthy.
                - Ah Himemiya, não precisa falar assim!! – ela já estava se sentindo culpada e mexida o suficiente para escutar aquela opinião. – B-bom, de todo modo temos q              ue voltar e preparar nossas coisas. – disse a garota firmando a voz e começando a caminhar na direção da saída do parque acompanhada pela morena.
                - Sim... afinal se a carta do Fim do Mundo já te alcançou... é melhor não esperarmos o que mais pode aparecer. – Utena fez uma cara mal humorada e ficou em silêncio uns segundos antes de retrucar.
                - Mas não estamos mais em Ohtori, ele não pode fazer nada contra nós aqui...
                - Utena...
                - Utena?!
                - Kaido?! – surpreendeu-se a garota-príncipe vendo-se de frente para o amigo, este por sua vez parou analisando a visão que estava tendo: sua amiga Utena lado a lado com a tal amiga que nem se lembrava que existia até ontem, as duas alias parecia que agora se lembravam muito bem uma da outra, afinal estavam conversando num tom reservado até agora pouco.
                - Porque você não foi à aula hoje Utena? – perguntou sem enrolação o garoto.
                - Bom... er... olha, eu a Himemiya, nós...
                - Himemiya? Então se lembrou mesmo da sua amiga, pelo tom que fala. – comentou Kaido com um tom anormalmente sério deixando Utena desconcertada.
                - Bom... sim.
                - Kaido-kun, eu e a Utena temos assuntos urgentes que precisam ser resolvidos, não podemos demorar muito. – interveio Anthy sorrindo para o rapaz que amenizou a expressão do rosto.
                - Assuntos? Como podem ter assuntos se Utena nem se lembrava de você ontem?
                - Bom.... – pelo visto o jovem ia ser mais insistente e inconveniente do que esperavam.
                - Utena Tenjou... – disse uma voz masculina rasgada às costas de Kaido. Os três jovens viraram para ver quem seria, afinal nenhum deles reconheceu aquele timbre.
                Eles deram de frente com um homem magro e alto, com feições amargas e um rosto cheio de cicatrizes. Ele trajava um sobretudo pesado com chapéu, o que o escondia quase por completo. Num primeiro instante Utena não entendeu porque se sentiu tão ameaçada por aquela presença, mas muito em breve saberia:
                - Quem.... – começou Kaido boquiaberto, provavelmente a aura do homem havia impressionado o jovem também.
                - Você não pode escapar do Fim do Mundo, Utena Tenjou. – disse o misterioso homem com sua voz nada amigável fazendo as garotas sentirem o mais profundo choque. Sem perceber Utena se colocou a frente de Anthy protengendo-a. Era difícil acreditar que tinha realmente escutado aquilo.
                - Hein? Fim do Mundo? Que papo é esse cara? – questionou Kaido esquecendo-se de ser polido na maneira de dirigir-se ao estranho.
                - Não se intrometa em assuntos que não lhe interessam garotinho. – disse o estranho tirando.... duas rosas negras do bolso do sobretudo. Rosas..... Ele prendeu uma na própria roupa e sorriu ameacadoramente na direção de Utena. – Crianças inocentes não devem saber das coisas dos adultos.... – riu-se ele, agora sacando uma espada que estava escondida sob o tecido pesado.
                - Hei! O que pensa que está fazendo?! Isso é uma arma! Eu vou chamar a polícia! – ameaçou Kaido com a voz mais grave e retumbante, uma tentativa sem efeito de intimidar o homem que o encarou com um sorriso malvado no rosto.
                - Garotinho... isso é uma batalha contra um príncipe fugitivo, plebeus deveriam ficar quietos.
                - Príncipe? Mas.. oQ!.... –ia questionar Kaido quando levou um golpe certeiro do cabo da espada na boca do estomago, a força aplicada foi tanta que ele tombou violentamente pra trás, completamente desacordado.
                - Kaido! – berrou Utena falando pela primeira vez desde que o homem apareceu. Não conseguia acreditar que realmente aquilo estava acontecendo, um homem, um duelista..... rosas negras, o que aquilo tudo significava?
                - Tome criança, precisa disso para duelar. – disse ele jogando a outra rosa negra para Utena que a segurou, fintando em choque a flor sinistra. – Essa rosa é especial sabe... se for despedaçada, você não terá como se mover e eu poderei te levar até meu mestre.....
                “Mestre........?
                - O Fim do Mundo.
                Utena pode sentir Anthy prender a respiração de medo logo atrás dela. Droga, mas não tinha escolha, como escaparia do duelo? Espere….. mas... para ser um duelo...
                - Como pode haver um duelo se aqui não é a praça dos duelos, sem nem os sinos tocaram? – questionou a garota revolucionária, tinha que haver um meio de impedir que aquele duelo se realizasse, afinal, nem sequer tinha uma espada para lutar, nem havia um castelo com Dios para ajuda-la, alias, o que aconteceu com Dios?
                - Príncipe da Revolução... não és tu que realiza milagres, então mostre um de teus milagres para mim.... neste duelo! – exclamou o desconhecido colocando-se em postura de ataque, neste momento sinos soaram...... sinos..... havia uma pequena igreja ali perto, mas nem sequer era algum horário de sinos soarem.... mas...
                Os sinos soaram, o sinal do inicio do duelo.
                “Não pode ser..... isso, não pode estar acontecendo.......”  foi o único pensamento de Utena antes que o homem avançasse como um raio em sua direção.
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Posted by LKMazaki

Tales of the Revolution 03


by:Mazaki


Revolution 03: O Selo da Rosa mais uma vez.
“Um selo de......... rosa?”.
“Jovem que sofre tamanha dor...”.
“O Fim do Mundo”.
“Pela revolução mundial!”.
“Atrás do portal da Rosa está o poder capaz de Revolucionar o Mundo”.
“Revolucionar...”.
“O Selo da Rosa...”.
“Utena-sama!”.
“O poder de Dios”.
“Você a ama não é?”.
“HIMEMIYA!”.
“Esse poder é capaz de realizar milagres”.
“Então eu me tornarei um príncipe!”.
“O poder de Dios”.
“Me desculpe fingir que era um príncipe... Himemiya...”.
“Capaz de realizar milagres”.
“Insistir não é tudo”.
“Himemiya.....”.
“Algum dia.... juntas?”.
“Não sabia? Eu sou uma tola”.
“Esse poder é demais pra você”.
“Eu só fui feliz de verdade na vida quando estive com você!!”.
“Pare! Você não sabe o que pode acontecer!”.
“E algum dia... juntas”.
“Realizar milagres”.
“Eu finalmente te encontrei!”.
“Milagres”.
“Você a ama não é?”.
“Milagres...”.
“Conceda-me o poder para Revolucionar o Mundo!!”.
            - U......... Utena.......
            O céu já estava escuro e a luz dos postes era uma laranja que ainda deixava um clima sombrio permanecer pela cidade toda. A sensação era de ter acabado de nascer-se novamente para o mundo. O vento era incrível, como se nunca tivesse sentido correr pelo seu rosto, observava o céu como se nunca o tivesse visto, depois de tudo..... tudo:
            - Utena.........?
            - Himemiya........
            Anthy observava com o coração aos saltos uma Utena com o olhar distante, como se pudesse ver acima do céu, algo realmente que soava irônico, já que seu sobrenome significava literalmente acima do céu. A carta com o selo da rosa jazia caída ao lado, um pedaço de papel aparentemente inocente, mas que carregava um significado sem fim, a morena sentia-se atordoada, mas não conseguia pensar naquele momento em nada além da garota a sai frente. Teria.... acontecido...?
            - Himemiya.......eu.........
            - Utena.........eu........ – a morena sentia um nó apertado na garganta mais forte toda vez que escutava seu nome ser dito no mesmo tom familiar, na mesma voz familiar, com a mesma expressão determinada que não estava ali a dois segundos..... tão familiar.
            - Eu..... cumpri a promessa.
            - ......
            - Eu te libertei......... não foi?
            - Utena....Utena...... – Himemiya foi até a outra abraçando-a pelos ombros deixando lagrimas escaparem. – Eu te encontrei....... eu te achei......
            - Himemiya.......
            - Você conseguiu...nós conseguimos... Utena....
            - Hime....... Himemiya.... – o coração de Utena batia forte, mas incrivelmente leve, podia sentir o da morena seguir o mesmo ritmo do seu. As espadas..... três anos.... havia vencido...
            - Utena.... – Anthy lutava contra as lágrimas que insistiam sem muito sucesso. Abraçava a outra o mais forte que conseguia, queria poder mostrar tudo o que sentira naqueles anos, tudo o que fizera, como ela estava feliz por tudo.
            - Eu realizei um milagre.
            Anthy terminava de preparar um chá atrás do balcão onde Utena estava quase deitada. Observava todos os movimentos da outra com os braços, parte do tórax e cabeça apoiados no móvel. Como era incrível poder observar aquele momentos simplório depois de tudo, não conseguia deixar de achar tudo magnífico, nem que fosse apenas o ato de servir o chá em duas xícaras que Himemiya fazia:
            - Aqui está Utena. – disse a morena depositando a xícara de Utena a frente dela e depois pegando outra e sentando-se de frente para essa. Utena sorriu.
            - Agora você pode me chamar apenas pelo nome... – comentou observando abobalhadamente o rosto de Anthy enquanto esta tomava um gole de chá. Ela era linda, mesmo quando se olhava de lado, com a cabeça caída nos braços.
            - É muito bom vê-la tão sorridente assim Utena. – disse Himemiya sorrindo diante do olhar besta de Utena que estalou e levantou a cabeça, assumindo um tom mais controlado.
            - Claro que estou feliz. Eu deveria estar morta e você ainda de escrava eterna, normal sorrir. – respondeu exagerando no tom de “desculpas para o sorriso bobo” o que fez a morena rir.
            - Você esteve me procurando todos esses anos Himemiya?
            Anthy observou-a um tempo antes de responder:
            - O que mais eu poderia fazer? Ainda me lembro da promessa do chá, agora faltam só sete anos. – respondeu sorrindo gentilmente. Utena nem reparou quando seu queixo caiu diante da resposta.
            - Himemiya...
            - É o que se faz quando se encontra o príncipe encantado, não concorda?
            Dessa vez Utena desviou o olhar corando. Também tinha sentido falta dessas falas tão cheias de significados entre as duas. Realmente era o que se fazia.... ela mesma tinha feito, apesar de que no seu caso o príncipe era na verdade uma princesa e um vilão pervertido:
            - Hime.... você está um pouco.....
            - Diferente? Acho que poder ter personalidade é interessante. – comentou a morena sorrindo fazendo a outra realmente sentir-se leve. Aquela, aquela era a Anthy que sempre quisera libertar, a verdadeira Anthy, seus sentimentos....... sentimentos.
            - Isso me deixa feliz – disse sem perceber a príncipe. – Sabe..... – ia continuar dizendo distraidamente a garota que ainda trajava seus uniformes masculinos quando seus olhos bateram na carta que sem nem perceber carregara consigo pra dentro de casa. O selo da rosa. Todo o significado. O que estaria lhe esperando quando abrisse aquele envelope? Anthy percebeu o que ela reparava.
            - Apesar dos meus esforços não fui a única a te encontrar. – disse com uma voz triste. Aquele brasão trazia lembranças ruins demais para não se arrepiar.
            - Hunf....Vamos ver o que o Fim do Mundo quer comigo... – Utena desgrudou o lacre com impaciência só parando quando ia virar o envelope por escutar uma exclamação assustada de Himemiya. Sorriu segura para ela. – Calma, se eu não tivesse aceitado o convite do Fim do Mundo nós não estaríamos livres agora.
            - Mas....
            - Você está incrivelmente linda com os cabelos soltos e sem aqueles óculos sabia Himemiya? – comentou Utena fazendo Anthy distrair-se completamente da carta e encarar seus olhos azuis.
            - Utena.......
            A garota estalou sobre o que dissera e corou violentamente desviando o olhar. Havia ficado louca?! Por que estava falando daquele jeito? Por que encarava Himemiya daquele jeito?? Por que ela retribuía seu olhar igualmente???? Nunca se importara com a convivência tão próxima da garota, alias era o que há tinha feito tão feliz em Ohtori, mas.... por que agora parecia diferente? Bem, ela não tinha mais 14 anos.... talvez fosse apenas um novo estágio da amizade entre elas, onde os abraços não são mais só para consolar da tristeza, ou talvez onde algum outro tipo de carinho seja bem vindo..... HEIN?!?! Tinha pirado! PIRADO!!
            - Você está bem Utena? – perguntou Anthy tentando preocupar-se com a expressão da amiga ao invés de rir, como tinha vontade.
            - Tudo bem. – respondeu reassumindo a postura séria. – Deixe-me ver...
            As duas perdenram o fôlego por um instante, enquanto o selo terminava de ser removido do envelope. Aquele envelope que muito provavelmente continha algo que atrapalharia e marcaria violentamente a vida delas novamente. Utena virou o envelope de cabeça para baixo e um pequeno objeto caiu de seu interior: um anel.... um anel que ela conhecia muito bem.
            - !!! – Himemiya levou as mãos para cobrir a boca em uma exclamação de horror. As lembranças a apavoravam mais do que o que ela poderia prever que fariam, afogaram-na completamente. Lembrou-se em um segundo das espadas, das pessoas, do que o Fim do Mundo a obrigara a fazer, humilhando-a. Ela se sacrificara por ele, ela a usava como um boneco, lhe tirara os sentimentos, lhe aprisionara o coração e a alma, lhe obrigara a ferir Utena mortalmente. Era horrível demais, era uma marionete sofrendo a agonia eterna de milhões de espadas de ódio, não havia quem a salvasse, estava condenada a ser usada por toda a eternidade como um brinquedo para a loucura e luxúria do Fim do Mundo, onde estava seu príncipe que a livraria disso? Por que seu príncipe havia se tornando um monstro??? Quem????
            - Himemiya!! Himemiyaaaa!!
            Anthy abriu os olhos e viu a luz acima de si, escurecendo o rosto de Utena que a observava preocupada. Estava deitada, ainda parecia ser a mesma cozinha, mas vista de baixo. Podia sentir os braços de Utena a segurando:
            - Você está bem? Himemiya! O que houve? – a voz da garota soava preocupada. Lembrava vagamente os gritos de dor que dera por ela quando estava no duelo da revolução, mortalmente ferida, mas só enxergando o seu sofrimento. Por ela.... ela havia feito tudo por ela...
            - Não podemos ficar aqui, ele está atrás de nós. – disse com a voz mais fraca do que achava que sairia. – Ele vai usar todas as armas, não vai mais respeitar as regras, só quer a nós.
            - Mas... por que ele nos quer tanto assim? Não estamos mais no jogo dele. Nem estamos mais no mundo dele... – questionou Utena sentindo o estomago embrulhar com a possibilidade de se ver envolvida novamente pela trama do Fim do Mundo.
            - Ele quer o poder de Dios. Nós somos a chave que ele precisa para entender.
            - Chave.....?
            - Ele quer o poder de realizar milagres. Quer ser Dios novamente, quer destruir o mundo inteiro.
            - Himemiya.....
            Utena percebeu ali, encarando o rosto alarmado de Anthy uma verdade que temia ver: ela já estava envolvida novamente. Alias.... ainda não tinha realmente se livrado daquilo tudo, apenas virado o jogo a seu favor e de Himemiya, o que não significa que tinha terminado. Ajudou a morena a se levantar e encarou determinada seus olhos verdes, fez com a mesma determinação que havia se visto no dia que ela decidira libertar a “bruxa” de seu tormento eterno:
            - Não se preocupe Himemiya. Amanhã mesmo vamos partir, ele não vai colocar as mãos em você de novo. Eu juro.
            - Mas a sua vida.... a sua liberdade Utena... – Himemiya sentia novamente a culpa que a corroia durante o tempo que estivera junto da garota em Ohtori. – Você não precisa se envolver nisso tudo novamente. – sua voz era lacrimosa, fazendo a garota de cabelos rosas sentir uma dorzinha no coração.
            - Eu nunca vou te deixar sozinha de novo Himemiya. – respondeu fintando profundamente os olhos da outra. – O que eu poderia fazer se te abandonasse afinal....
            - ...............
            “Príncipe de nobre coração..... Utena Tenjou... meu príncipe”.
            “Não vou descansar enquanto Akio achar que pode fazer algum mal a Himemiya.
Ele vai descobrir o que é Revolucionar o Mundo!”.
Posted by LKMazaki

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sábado, 4 de julho de 2009
Posted by Se-chan

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