Archive for 01/11/15 - 01/12/15

[Resenha] Watashi no Muchi na Watashi no Michi: Quando a filha protegida se descobre Lésbica!

Não sei se vocês (garotinhas lésbicas e menininhos gays) passaram pela fase do armário (popularmente conhecido como Nárnia), onde seus pais super acham que vocês são héteros, cis-normativos e ficam atirando vocês para seu melhor amigo(a). Mas eu passei e, olha, o mangá que estou trazendo para o KaS hoje tem tudo haver com essa fase da vida!

Mesmo se você não passou por isso, venha aqui comigo ver o que rola nesse mangá super interessante que o AION está trazendo traduzido lindamente e que não tem nem em inglês! (só tem o 1º capítulo)

Watashi no Muchi na Watashi no Michi
(ing. My Ignorance of a World Yet Unknown /pt. Minha ignorância de um mundo ainda desconhecido)
de Moto Momono
Vamos ver a situação inicial da trama: Minato é uma garota que está iniciando em uma empresa, como Office Lady (secretária, meio "faz tudo" sabe), tem 22 anos, foi criada por sua mãe divorciada, e sempre foi cuidada por ela e seu amigo de infância Haruto (4 anos mais velho). Como novata, ela está ainda se acostumando com suas funções, cometendo alguns erros, e sua supervisora mais velha, rabugenta, chata, está lá incomodando nossa heroína e chega essa colega misteriosa, de cabelos curtos, pretos, com uma cara de mal encarada e salva nossa protagonista das garras da outra. Enquanto essa colega a ensina como concertar uma máquina de cópias, vai falando que a protagonista deveria se rebelar um pouco contra esse tipo de pessoa.
Nesse momento, chega seu amigo de infância e estraga tudo (néee! XD). A garota sai, e ele fica falando como ela é meio invocada (com cara de malvada e tals), mas Minato diz que tudo o que a outra fez foi lhe ajudar.

Após o trabalho, a protagonista está trabalhando no restaurante de sua mãe e o amiguinho está jantando lá (nossa cara, desgruda da menina!). Nesse momento, é explicado que Minato conseguiu arrumar o emprego parcialmente por ser indicada pelo Haruto, e os dois (a mãe e o amigo da friendzone) ficam falando como ele quer seguir cuidando da menina para sempre, meio que claramente empurrando a menina para um pedido de casamento. E depois do jantar, o cara realmente faz um pedido de casamento para Minato! Pobre menina que tenta ser perfeita e é lésbica. (e obviamente não sabe.. XD)

A garota passa a noite pensando no assunto, e que sempre viu Haruto como um amigo, um irmão mais velho, mas a menina não quer desapontá-los, então pensa em aceitar a proposta. No dia seguinte, a supervisora chata enche nossa protagonista de trabalho, e a misteriosa colega de trabalho (Asami) vai ajudá-la, mas avisa que Minato terá que mudar de comportamento se não quiser "dançar" na mão dos outros. Quando a garota ia respondê-la, Asami diz que a protagonista sempre parece estar se contendo, mas elas são interrompidas pelo Haruno (o cara é stalker profissional né...), que chama Minato para uma conversa particular, e a pressiona sobre a resposta, falando até em ter uma conversa "a três" com a mãe dela (tenso, que isso! tá demais esse negócio o.o). A garota não consegue responder, mas Asami chega para dar uma desculpa pela assediada, dizendo que as duas já haviam combinado de sair para beber juntas ("noite das garotas", para o chato não ir junto).
Depois de irem para a casa de Asami, beberem um pouco e discutirem sobre as atitudes nada incisiva da protagonista e como a garota deixou coisas para trás e escondeu seus sonhos para não incomodar os outros, acaba rolando uma coisinha um tanto curiosa. Asami a beija, falando que a garota poderia ter as novas experiências.

Esse é o primeiro capítulo do mangá, mas o AION já traduziu três e estou louca para ler o resto!
Minato: Eu realmente me identifiquei com ela. Se lê-se o mangá há uns 5 anos, estaria super na situação dela (sorte que não estou mais). Senti toda a agonia da garota, vendo-a cometer os mesmos erros que eu. É chato dizer, mas sair deste "vício" de agradar os outros é algo muito difícil de desvincular. E isso me dá medo sobre como será o desenrolar da história.
Asami: Acho que ela é tudo o que a protagonista precisava. Alguém firme, que não tem medo do que está por vir, já bem decidida e que pode protegê-la de alguns ataques, mas principalmente, instigá-la a não depender dos outros. É uma personagem muito interessante, que não mostra de primeira quem é ou o que quer, mas que aos poucos se mostra muito sensível.

Haruto: Sei que ele só quer o bem da Minato, mas o fato de ele não enxergar o que ela quer de verdade o faz cometer muitos erros. Pressioná-la não vai fazê-la gostar mais dele. Talvez ele só quisesse que ela decidisse logo para ele não ter a oportunidade de perdê-la. (quem sabe..) É um bom cara, mas acho que vai ficar pra friendzone (por favor, que o final não seja trágico! XD)
Que não seja sério de mais ao ponto de no final a gente pensar "É, nem sempre as coisas dão certo". Afinal, se a Minato passar por todo o sofrimento de tentar sair do armário para depois se enterrar de novo nele, não faria sentido. Então, reso para que não haja nada assim no futuro da série.


E ai gente, o que acharam? Eu adorei, o clima da série é fantástico. Adulto, tenso, inteligente. Quero mais AION!
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[Web-série] Circunstância parte 3 e 4 [+18]

Olá a todos!

Cá estamos com a terceira e quarta parte da história de Diovana e Amanda. Fiquei muito feliz pelo retorno das primeiras duas partes dos textos. Ainda não tinha visto um post de literatura alcançar números bons tão rápido quanto este último, então só tenho a agradecer.

Vamos direto ao ponto aqui: mais duas partes da história e, um ponto importante, temos uma cena adulta na quarta parte. Sintam-se avisados e não queiram matar essa que vos escreve por trazer um romance lésbico tão explícito assim ao blog.

Em frente!


Circunstância
por LKMazaki – 2015

Parte 03 – Passo adiante


Como sempre o vai-e-vem de gente no centro da cidade era intenso, ainda que o sol já tivesse desaparecido a algum tempo.

Amanda caminhava sem muita pressa, tentando desviar-se dos maiores aglomerados de pessoas. Seus fones brancos, sempre nos ouvidos, não tocavam nada naquele dia. A verdade é que, a despeito da sua tentativa de parecer desatenta, ela estava mais observadora do que normalmente seria. Estava mais ou menos uma duas horas mais tarde do que seu horário padrão e sua cabeça não conseguia deixar de pensar nas possibilidades.

Seu passo vacilou quando seus olhos enfim a encontraram. A figura alta e magra, apoiada a um canto próximo à entrada da estação de metrô. A mulher de cabelos negros longos e lisos tragava um cigarro como se usasse uma bomba de ar depois de um afogamento, tamanha sua vontade. Amanda tentou não demonstrar sua ansiedade quando caminhou propositalmente mais próximo da do lado onde estava a outra.

Pode ver pela sua visão periférica perfeitamente quando esta denotou sua figura e como manteve fixo seu olhar enquanto se aproximava. Amanda se esforçou para parecer olhar casualmente em sua direção e deteve o seu sorriso que quase foi maior do que deveria:

— Ora. — disse Amanda em cumprimento. — Indo tomar o R10? — perguntou, com certa intimidade. A morena sorriu e tragou mais uma vez o cigarro antes de responder.

— Talvez. Eu não estou com muita pressa.

— Eu também não.

O silêncio acabou se prolongando por um momento, gerando certo desconforto:

— Se não está com pressa não quer tomar alguma coisa? — perguntou a morena. — A verdade é que eu não tenho nenhum colega de trabalho que preste para dividir uma cerveja.

Amanda sorriu e tossiu uma risada para disfarçar:

— Por que não? Parece uma boa. — concordou, tirando os fones mudos dos ouvidos. As duas se encararam de cima à baixo.

— Diovana. — apresentou-se a morena.

— “Di”? Com “dê”? — perguntou Amanda, surpresa.

— Isso mesmo.

— Prazer, Amanda. — respondeu a primeira, esticando a mão para um cumprimento. Um tanto desconfortável Diovana aceitou e as duas apertaram as mãos.

— Então. . . Eu conheço um barzinho tranquilo aqui perto. É por esse lado.

As duas mulheres recém apresentadas caminharam em um silêncio pontual até o bar. Uma salinha com meia dúzia de mesas, no terceiro andar de um edifício comercial. Amanda nunca encontraria local mais tranquilo e aconchegante no centro da cidade se quisesse. O barman cumprimentou Diovana com entusiasmo quando entraram e lhe ofereceu a mesa mais ao fundo. A morena pediu um chopp e Amanda ficou com uma bebida Ice.

Amanda podia sentir o cheiro de cigarro misturado ao perfume já pouco evidente de Diovana. Uma fragrância agradável que deveria se destacar quando não misturada à nicotina. A franja comprida desta cobria-lhe parcialmente a expressão, despertando uma constante de curiosidade. Era possível ver o rosto magro e comprido de Diovana através das madeixas, mas era como se houvesse um segredo ali que era incapaz de descifrar a não ser desvelando aquela cortina de fios tão lisos que quase ocultavam por completo as sobrancelhas finas da morena.

Talvez Diovana tivesse percebido o quanto era encarada, pois decidiu quebrar o silêncio estabelecido assim que tomou o primeiro gole de sua bebida:

— Então, o que você faz da vida? — perguntou.

— Bom, eu sou Gerente de Projetos de uma multinacional com sede brasileira aqui em Silveria. — respondeu Amanda, sem muito entusiasmo. — É mais fácil de entender se eu disser que sou uma programadora que manda nos outros programadores, não?

— E que deve ganhar uma nota. — comentou Diovana.

— Esse negócio de salário não faz muita diferente depois de um tempo.

— Tenho certeza que não. — disse Diovana, num deboche evidente. Amanda riu-se daquela atitude.

— E você?

— Nada demais. Auxiliar administrativo num escritório que terceiriza telemarketing. Uma coisa para quem não quer escolher o que fazer da vida.

— Pelo menos você não volta pra casa no horário de pico. — tentou amenizar Amanda, conseguindo tirar um sorriso da outra.

— Talvez. Mas também não tem nenhuma outra vantagem.

— A vantagem atual do meu emprego é me fazer sair tarde o bastante para encontrar pessoas diferentes nas ruas. — contrapôs Amanda, sabendo estar sendo um tanto piegas.

— Essa foi terrível, garota de programas.

As duas continuaram a conversa introdutória por mais ou menos meia hora, quando a segunda rodada de bebidas terminou. Diovana insistiu para que partissem e as duas retornaram ao metrô, onde tomaram a linha R10. Para a surpresa da morena, Amanda insistiu para desembarcar junto na sua estação:

— É um tanto perigoso para uma mulher alcoolizada e sozinha depois do anoitecer. — disse esta, fazendo um trejeito pomposo na voz proposital.

— Como se não estivesse acostumada a estar fora até mais tarde ainda. — retrucou Diovana, apesar da visível diversão com o comentário descabido.

As duas desembarcaram e saíram da estação, tomando uma rua lateral que levava a uma área cheia de condomínios prediais. Subiram uma rua comprida e fizeram uma curva por uma passagem bem iluminada, enfim chegando nas proximidades do prédio que Diovana indicara ser onde residia:

— Viu só? Tem um táxi ali no ponto. Não precisa se preocupar comigo. — disse Amanda, apontando par ao veículo.

— Está certo. — concordou Diovana. — Então. . .

As duas mulheres se encararam. O que havia sido aquela noite, afinal? Parecia que ambas tentavam responder aquela questão internamente enquanto tentavam ensaiar uma despedida de algo que não havia sido nada, mas ao mesmo tempo poderia ter sido muita coisa.

Amanda tinha um sentimento de frustração entalado na garganta. Não podia acreditar que iriam acabar daquele maneira. Sequer haviam trocado telefones, sequer haviam aproveitado aquela noite como se fosse uma única. Não haviam avançado quase nada, apesar de terem tido todas as oportunidades. Decidida a não levar aquele sentimento de derrota consigo, a programadora deu dois passos na direção de Diovana, que por um momento pareceu se surpreender, mas que não fez qualquer resistência quando foi levemente puxada pelo colarinho da camisa para o beijo que ambas desejavam.

Um toque harmônico e incontido no desejo graças às doses de álcool no sangue. Diovana  deixou suas mãos segurarem Amanda pela cintura, aproximando mais seus corpos. O desejo aflorando rápido em meio a toque das suas línguas. Quando enfim se se separaram, seus olhares permaneceram unidos enquanto retornavam à realidade.

Diovana foi quem abriu os lábios para quebrar os silêncio, mas Amanda levou os dedos para silenciá-la. Com a outra mão catou no bolso do jeans um cartão de visitas, entregando-o para a morena. Sem dizer mais nada Amanda tomou o caminho do táxi, sem ser capaz de conter o sorriso de satisfação. Haviam dado todos os passos necessários naquela noite.



Parte 04 - Aproximação



“Espero que o R10 não tenha atrasado hoje cedo. No meio da tarde estava um caos”. Foi com essa mensagem singela que Diovana havia estabelecido o contato eletrônico entre ela e Amanda, no final da tarde do dia seguinte ao reencontro das duas. Logo aquele sinal havia se transformado em uma longa conversa, que se estendeu pela tarde, e toda a noite.

Amanda mal viu o caminho pra casa. Sabia que Diovana estava trabalhando, portanto sua atenção ficou toda voltada para as mensagens que chegavam apenas alguns minutos depois das suas. Talvez o metrô tivesse de repente decidido funcionar como o esperado, pois ela sequer se incomodou com a lotação do horário do rush. Mesmo com o sinal oscilante, ainda conseguiu enviar meia dúzia de pequenos conjuntos de palavras cheias de significado.

Falavam de trivialidades. Sobre o clima, sobre o trabalho, sobre o quanto as atrações televisivas eram nocivas para pessoas de boa mente. Era como se tivessem sentadas ainda na mesinha do bar, agora sem pressa, se conhecendo com menos receio.

Amanda ficou grudada no aparelho celular até quase uma da manhã. Diovana foi quem encerrou a conversa, não antes de deixar mais um dos vários comentários mais explícitos que haviam pontuado o bate-papo até então:

“Vou dormir. Tenha bons sonhos. Os meus com certeza serão.”

A programadora soltou uma risada alta, já deitada em meio aos seus travesseiros e edredons. Não ousou responder à provocação, apenas despediu-se. Colocou o smartphone no carregador e tentou voltar sua atenção para o filme na televisão. Era difícil, um sorriso idiota persistia na sua cara, ainda que soubesse que ninguém o veria.

Diovana, uma pessoa que poderia passar como comum aos olhos estranhos, mas que lhe fascinava em vários sentidos. Seu pensamento astuto e sarcástico, sua tendência para humor sombrio. Sua beleza contida, quase camuflada em uma vitrine de insipiência. Lembrar das suas formas esbeltas e das sensações dos beijos trocados na noite anterior faziam o corpo de Amanda fervilhar. Estava ficando completamente encantada, como a muitos e muitos anos não ficava. Ria de si mesma por sentir-se quase uma adolescente outra vez.



Os dias foram passando e a rotina de mensagens tornou-se parte do cotidiano. Amanda sabia que Diovana acordava apenas depois das dez e fazia questão de enviar uma mensagem excessivamente animadora de cumprimento. Não fazia isso para parecer uma boa pessoa, mas sim porque Diovana parecia capaz de criar as mais variadas formas de expressar desprezo pelo positivismo de forma irônica, sempre arrancando-lhe risos na sala de café da empresa.

Mesmo que tentassem parecer sóbrias, a cada dia ficava mais claro o quanto as mensagens eram limitadas. Cada vez havia mais ansiedade e menos espaço para pudor nos textos. Especialmente à noite, nas últimas mensagens trocadas enquanto Diovana fazia o caminho para casa. Parecia que a morena fazia questão de perturbar a libido de Amanda, mas esta sabia que o efeito era mútuo, então apenas desfrutava dos benefícios daquelas trocas finais de palavras.

Pareceu que uma eternidade se passou até que enfim chegou a sexta-feira. As duas marcaram no barzinho depois das dez horas. Amanda ficou fazendo hora no centro comercial até perto do horário e então foi para o local. Levou apenas o tempo de ela tomar a primeira Ice até que Diovana chegasse até a sua mesa:

― Olá. ― disse a morena, encarando Amanda que lhe sinalizou para sentar. Ela tinha um tom de divertimento no rosto que a outra sabia também estar carregando. ― Espero que não tenha bebido demais para trocar meu nome logo na largada

― Não. ― riu-se Amanda. ― Eu tenho lembrado do seu nome demais para esquecer fácil, Diovana.

As duas beberam e conversaram. Seus tons de voz eram um tanto baixos e a troca de provocações era constante. Elas não eram mais tão desconhecidas assim. A sensação de intimidade já crescente estava atingindo seus tons mais evidentes enquanto trocavam olhares e toques sutis das mãos sobre a mesa, e de tornozelos e pés por baixo do tampo.

Amanda decidiu parar de beber depois de apenas três doses tomadas com toda a calma. Não era tão resistente ao álcool e temia que aquilo pudesse entorpecer seus sentidos. Diovana pareceu em nada se alterar mesmo depois de quatro chopps. A essa altura a morena já acariciava o antebraço e mão de Amanda sem disfarçar, causando arrepios constantes na outra. Pediram a conta e tomaram um táxi para o condomínio de alto padrão onde Amanda morava.

Amanda destrancou a porta e as duas entraram:

― Nossa, que belo lugar. ― comentou Diovana, admirando o espaço amplo valorizado pelos móveis planejados.

― Minha mãe foi quem ajeitou esse lugar. Eu tenho um péssimo senso pra essas coisas. ― comentou Amanda, trancando a porta e jogando as chaves em algum lugar do balcão que havia na parece adjacente à entrada.

― Eu poderia pegar algumas dicas com a sua mãe sobre o assunto. Quem sabe conseguisse transformar meu cubículo em algo habitável. ― disse a morena, rindo-se, aceitando o enlaçamento dos braços de Amanda nos seus ombros e passando suas mãos pela sua cintura.

― Não viemos pra cá falar de decoração, não é mesmo? ― comentou Amanda, recebendo um beijo no lóbulo da orelha como resposta.

― Decoração pra depois, já entendi.

Apesar de saber ser mais experiente que Diovana, Amanda se viu completamente entregue à sedução desta. Diovana acariciava suas costas de cima a baixo, com um toque firme, mas ainda sensual, instigante. Suas bocas trocavam beijos longos e suas línguas se entrelaçavam com desejo. Era impossível para Amanda conter seus suspiros e ficou bem claro que Diovana não iria deixar sua “vantagem” escapar. As duas foram aos tropeços para o quarto e arrancaram as roupas com ansiedade. Diovana levou Amanda para a cama e se colocou sob ela. Sob seu controle.

O jogo de experimentações era delicioso. Diovana beijava e mordiscava cada parte do corpo de Amanda buscando as melhores reações de excitação. Pescoço, ombros, seios e abdômem. Amanda era incapaz de conter os murmúrios crescentes. Diovana demorou-se nos seus seios, chupando seus mamilos e se deliciando com os primeiros gemidos incontidos da outra.

Descendo mais Diovana beijou as coxas de Amanda, subindo dos seus joelhos até chegar à virilha. Amanda se contorcia, desesperada, sua voz descontrolada:

― Diovana, me fode. Eu quero que me coma, agora. ― pediu, quase chorosa. A morena fintou o olhar cheio de tesão de Amanda e sua própria excitação se tornou quase insuportável. Sem mais esperar atendeu ao pedido e a sua própria luxúria, levando a boca ao sexo da amante, sentindo o corpo inteiro desta reagir ao toque da sua língua sobre o seu clitóris.

Diovana teve que segurar as pernas de Amanda enquanto sua língua e lábios acariciavam. O gosto tão forte e tão característico inebriavam todos os seus sentidos. Amanda tentava controlar os gemidos em vão e a morena sentia como se ela mesma estivesse transbordando de prazer, ainda que seu próprio sexo estivesse apenas tocando de leve as cobertas. Beijou, chupou e acariciou os lábios e clitóris de Amanda, experimentando suas reações próximo a entrada vaginal. Amanda pareceu adorar aquilo e Diovana não teve dúvidas em fodê-la com a língua por algum tempo para depois se concentrar na parte mais sensível.

Amanda tentou segurar o orgasmo o quanto pode e sentiu claramente o quanto Diovana também queria lhe prolongar aquele momento. Porém foi impossível conter-se muito depois que a morena passou a se concentrar em pressionar-lhe com a língua. O toque tão quente, forte, incessante que terminou por levar Amanda ao êxtase.

Diovana percebeu com facilidade a explosão da outra e lhe acariciou apenas o bastante para que aproveitasse até o fim a sensação. Logo o sexo de Amanda ficou sensível em demasia e ela teve que admitir que a diversão do momento terminara. Tentou inutilmente limpar o queixo, mas estava completamente ensopada pelos fluídos da parceira. Atenciosa, Diovana subiu e beijou Amanda com ternura, sentindo a satisfação da posse sexual também espalhada pelo seu corpo. A morena deitou-se e acolheu a outra no seus braços, com afeto:

― Isso foi ótimo. ― disse Amanda, com a voz fraca.

― Obrigada. Você também estava ótima. ― elogiou Diovana, com um sorriso.

― Quero que diga isso depois que eu mostrar o que posso fazer.

― Ei, calma aí. Eu te deixo respirar um pouco antes disso. ― riu-se a morena.

― Eu estou ótima. Quer ver? ― perguntou Amanda, levantando a cabeça para encarar a amante, um sorriso felino nos lábios.

Não demorou para que fosse a voz de Diovana que enchesse o aposento, escapando para o restante da casa e até mesmo para o ar noturno. Uma vez, duas vezes. Aquela primeira noite de sexo das duas foi uma batalha longa e que iria se repetir quase na íntegra na tarde do dia seguinte.

[Resenha] Carmilla, a vampira de Karnstein - A versão original da famosa vampira lésbica

Há quase um ano, aqui estava eu trazendo para o Kono - ai - Setsu uma resenha sobre a primeira temporada da web-série Carmilla, que trata sobre um romance entre a cool vampira que dá nome ao livro e Laura, uma garota universitária normal que tem a curiosidade muito maior do que sua estatura (até por que a Elise não tem muita altura.... XD).

Agora, cá estou para dizer minhas opiniões sobre o livro que serviu de inspiração para a série já bem conhecida do público LGBT que curte séries do YouTube. Já terminei de ler o livro há aproximadamente três meses, então minha opinião sobre a obra está mais do que formada.
Carmilla, a vampira de Karnstein, escrito por Sheridan Le Fanu, se passa no século 19 (não especifica no livro a data) e traz o depoimento tardio de Laura sobre a época de sua vida (aos 19 anos de idade) que conviveu com a misteriosa e sedutora Carmilla, que havia se hospedado em seu schloss (palavra alemã, algo como castelo) onde vivia isolada junto à seu pai e algumas criadas.

No decorrer da escrita, Laura relata que mulheres andam morrendo nas "vizinhanças" (na verdade são locais que ficam bem monge, mas que são os mais próximos de sua casa), e que antes disto haviam passado por momentos de alucinações, perda de sangue e febre. O que preocupa em seguida a protagonista é que pouco tempo após sua nova amiga chegar em seu schloss, Laura apresenta os mesmos sintomas.

O livro, sempre com uma atmosfera sombria, as vezes até macabra, coloca a figura de Carmilla sempre com mistério, mas ao mesmo tempo com adoração, uma dualidade de sensações entre abominação e paixão que Laura perdura em ter até em seu relato anos após o ocorrido. As sensações provocadas em nossa protagonista nos deixam sempre em uma tensão que poderia tender muito ao sexual, mas que Le Fanu toma cuidado para não atravessar o limite. Mesmo sem cenas "adultas", a obra é recheada de momentos onde Carmilla abraça Laura, dizendo que a ama e que a mesma irá amá-la até a protagonista morrer, se fazendo ser uma provocante leitura. 
Apenas perto do final do livro é revelado que Carmilla é na verdade uma criatura do mal, uma vampira que suga a energia das mulheres para ter sua vida eterna. A versão da obra que comprei (da editora Hedra) contém o pequeno conto original (é pequeno mesmo, 110 páginas aproximadamente), mas também vem com uma ótima introdução de Alexandre Meireles da Silva, explicando muitas referências, a importância de Carmilla para os contos vampíricos e de terror, além de uma listagem de filmes que adaptaram o livro. Aconselho muito a quem quiser comprar, que seja esta versão.

Por fim, foi muito divertido ler a obra original após ver a web-série, pois vi as referências em nomes e adaptações das personagens para os dias de hoje. E aconselho: nem sonhe em tentar achar um paralelo entre as histórias. A única coisa que as une é Carmilla e Laura (além de Perrodon/Perry e De Lafontaine), nada mais. Aconselho a obra aos amantes de vampiros (por favor, aqueles mais tradicionais, nada dos brilhantes) e criaturas misteriosas. O livro não contêm um mistério muito grande, mas o clima de repulsa no texto em alguns momentos é fantástico.

Espero que tenham se interessado pela obra, é muito boa!

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[Resenha] Their Story: Como um romance fofo "comum" ficou popular na internet?

Já faz um tempo (alguns meses) que queria fazer esta postagem, mas por algum motivo ainda não havia conseguido me concentrar o bastante para fazê-la. Mas a Se-chan aqui é firme e no seu aniversário vai tentar trazer uma boa postagem para os leitores! (XD)

E por milagre que pareça, vou falar de um Manhwa (HQ coreana)! E mais surpreendente ainda, ele é desenhado em formato de diagramação para ler online (sempre leio no Tumblr e fica ótimo!).

Portanto, sem mais amarração, vamos falar de Their Story!
Their Story (ou 'Tamen de Gushi')
De Tan Jiu

Tamen de Gushi conta a história de Sun Jing (morena), que todos os dias via uma menina fofa de uma outra escola na mesma parada de ônibus que utilizava. Depois de tentar conversar com a garota e ficar sem conseguir falar nenhuma palavra, Sun Jing fica dois dias sem vê-la na parada, e seu amigo/conselheiro Qi Fang diz que a garota provavelmente ficou assustada com uma pessoa estranha
ficando parada em sua frente sem dizer uma palavra e resolveu não aparecer mais no local.

Mas a garota não a esqueceu, e descobriu seu nome, Qiu Tong. E ainda mais, nossa protagonista a vê na rua e vai falar com ela! E depois de descobrir que a menina achava que ia apanhar dela, elas conseguem manter uma conversa passeando.

Depois desse dia, elas volta e meia continuam se encontrando, e virando amigas. (por mais que Sun Jing com certeza queira algo a mais...) O resto, deixo para lerem no Gokigenyou, nosso parceiro de sempre (que tem traduzido tanta coisa que eu adoro~~ *o*). Ah, lembrando só que esse é um projeto que estão fazendo em parceria com o AION Scanlator, que é outro que sempre acompanho! (ele traduz Citrus!)

Apesar da trama simples, as personagens carismáticas e a interação entre as mesmas tornou a história bem popular na internet, principalmente no Tumblr. (que admito que é minha rede social favorita já faz um tempo) O último capítulo, por exemplo, tem já mais de 13.000 reblogs em uns 3-4 dias. Imaginem a quantidade de gente que leu!


Sun Jing é uma personagem muito engraçada, que tem um pinguinho cool de tomboy (ainda mais nas ilustrações que o autor faz, nossssa~~ fica mais séria e cool~~ ADORO). Apesar do jeitão e já parecer bem definida como lésbica, ela é toda atrapalhada quando o assunto é a Qiu Tong, o que fica muito claro e fofo na trama.

Estou torcendo para ela a cada investida e sinal que dá para sua amada! (e o último capítulo que saiu, minha Godoka do céu, me segura que eu morri~~ leia)

Já Qiu Tong tem um jeito muito amável, e me encanta com esse modo fofo dela. (tanto que estou com avatar dela atualmente no Twitter.... XD) Eu achava que ela até meio consciente da situação, mas pelo último capítulo, não tava tanto assim. Também parece que ela não entendeu ainda seus próprios sentimentos, o que me deixa mais curiosa com os próximos acontecimentos da série!


Nossa, eu sei que eu adoro as personagens, mas o modo como elas interagem, e o modo que o relacionamento entre elas evolui, é muito bom! Estava relendo aqui e, nossa, é muito agradável. Por que ele é calmo, mas evolui, eu vejo e sinto a leve evolução a cada conversa entre elas. Pode parecer bobo as vezes, mas assim que a vida é. Você as vezes gosta de alguém, mas só de ficar perto dela já te faz um bem enorme. Não é assim? E é assim que eu vejo a Sun Jing na trama.
E eu não tenho pressa nenhuma de ver nada como um beijo ou um começo de namoro. Talvez por que o clima da história é tão bom que eu não queira que mude. E acho que isso mostra a qualidade técnica e de roteiro do autor. Fazer você ficar com essa sensação não é fácil. Normalmente queremos que a coisa evolua logo, ou vemos que tudo o que acontece na história é na verdade enrolação para o que está por vir. Mas em Their Story é como se víssemos o dia-a-dia das garotas, então a coisa andar mais lenta parece realmente coerente.

Não sei se as outras pessoas pensam assim, mas é o que enxergo lendo a obra. E isso me agrada muito. (=D)



O que acham? Já conheciam esse Manhwa? Estão ansiosos para ver o que vêm por vir? Não se esqueçam de agradecer aos scans pelo serviço prestado! (até por que alguma editora trazer mangá girls love é fogo né....)


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sexta-feira, 20 de novembro de 2015
Posted by Se-chan

[Web-série] Circunstância parte 1 e 2

Olá a todos!

É com uma grande alegria que hoje trago aos leitores do Kono-ai-Setsu a segunda minissérie original totalmente yuri. Nem parece, mas já faz mais de um ano desde a finalização de "Clarisse e Alex" e nesse meio tempo estivemos trabalhando bastante na parte literária para trazer mais conteúdo de qualidade para vocês.

A ideia é ir cada vez mais longe, mas, por hoje, vamos começar a acompanhar Circunstância, a trama de Diovana e Amanda, duas mulheres que não tem nada em comum, mas que vão ter seus caminhos cruzados por um capricho do cotidiano.

Uma trama bem mais séria do que as anteriores já publicadas aqui no KaS, dividida em 10 capítulos (com possibilidade um ou dois extras) a serem lançados semanalmente. Vocês poderão acompanhar aqui no blog ou também no Wattpad, plataforma voltada para a publicação de literatura online.

Sem mais delongas, fiquem com o primeiro capítulo de Circunstância.



Circunstância
Parte 01 - Factual


A noite no centro da tumultuada Silveria era tão iluminada e agitada que os transeuntes sequer reparavam na ausência do Sol. Mesmo naquela noite de quinta-feira, tomada pela chuva pesada, as pessoas iam e vinham no mesmo ritmo frenético, dividindo o espaço apertado das calçadas entre si e os guarda-chuvas. Histórias de vida terminando e começando por todos os lados, tão comum que ninguém era capaz de perceber em detalhe. Encontros e desencontros que mudavam o rumo de vidas inteiras poderiam muito bem acontecer naquela noite, como em qualquer outra, e jamais seriam notados por quem olhasse do modo vago como se faz nesses tempos.

A chuva castigava a cidade, transformando a poeira do calor do dia em sujeira e lama pelas ruas que rapidamente alagavam. Passava das onze e meia da noite e os últimos retardatários saídos de escolas e empresas se apressavam para conseguir pegar a condução para casa.

Diovana correu até a entrada da estação de metrô tentando proteger-se da água com os braços. Parou às escadarias, encharcada, a camisa preta colada ao corpo. Arrepiou-se com a brisa que veio do corredor subterrâneo e esperou recuperar um pouco do fôlego para retomar o caminho.

Ao cruzar a catraca eletrônica Diovana pode escutar o som do metrô se aproximando da estação e apressou o passo. A meio caminho, quando o longo veículo estacionou, acabou escorregando nos próprios sapatos ensopados, levando os braços por reflexo para se apoiar no que havia mais próximo:

— Woa! — exclamou uma jovem mulher de cabelos claros e e curtos ao ser puxada por Diovana sem prévio aviso.

— D-Desculpe. — pediu a mulher alta e morena, ainda sem ter recuperado o equilíbrio. Para sua surpresa a outra segurou-lhe ambos os braços, ajudando para que não despencasse de vez. — Obrigada e me desculpe mais uma vez.

— Não foi nada. — respondeu a mulher, com um sorriso. Seus olhos permaneceram nos de Diovana por um instante demorado antes de desviar para o veículo parado com as portas abertas a alguns metros. — Ah, você também vai pegar o R10? Talvez. . .

— Ah, sim, claro. — concordou Diovana, afastando as mãos que ainda se apoiavam na desconhecida, sem jeito. As duas embarcaram e logo a condução começou a se locomover com velocidade pelos túneis subterrâneos.

As duas desconhecidas foram as únicas a embarcar no quinto vagão e sentaram em lados opostos, a uns três acentos de distância. O som do maquinário pesado movendo a imensa cobra de aço terra à dentro encheu o ar, trazendo à Diovana a sensação costumeira de anestesia dos sentidos. Para evitar cair no sono, a morena pegou o celular e fones de ouvido, buscando a sua playlist mais casual para encher-lhe os ouvidos.

Os minutos sempre transcorriam muito rápido àquela altura do dia para Diovana, mas daquela vez havia algo de diferente. Uma inquietação que não lhe permitia deixar-se levar pelas letras forçadas de sua cantora preferida, nem mesmo lhe deixava recostasse melhor no banco duro de plástico do veículo.

Seus olhos sabiam melhor do que ela o que estava acontecendo. A cada par de segundos eles se voltavam para a direção da desconhecida que a ajudara anteriormente. Ela parecia bem mais jovem do que ela, apesar de que isso poderia ser apenas a impressão acentuada pelas suas roupas bastante casuais, camiseta com estampa de herói americano e jaqueta clara. Mesmo com o conjunto não estando justo, isso não escondia a forma bem cuidada da desconhecida. Rosto, cabelos, corpo. . . Tudo muito bem harmonizado dentro daquele estilo moderninho casual.

Diovana decidiu tentar ler no celular para não dar tanta bandeira, mas sua concentração não lhe permitia passar do primeiro parágrafo do bestseller do momento que um colega de serviço tinha conseguido baixar no seu aparelho. Para sua sorte a a desconhecida estava parecendo bastante absorta, lendo alguma coisa em um tablet da marca da maçã. Além de tudo tinha dinheiro. . .

Alguns longos minutos depois a estação de Diovana foi anunciada pela voz automática. Quando caminhou para a porta passou na frente da outra e esta levantou o olhar. As duas se encararam esta sorriu da mesma maneira simpática de antes. Diovana acenou minimamente com a cabeça, sem se deter. Logo ela estava na plataforma vazia da estação.

Apesar de ter sido banal, aquele acontecimento permaneceu nos pensamentos de Diovana, mesmo na manhã do dia seguinte.


Parte 02 - Nunca tão distante


Em uma casa  de aspecto antigo, em uma cidade pacata próxima da capital o som de discussão era tão alto que escapava pelas janelas para os vizinhos. Já faziam alguns meses desde a última vez em que se vira aquele tipo de confusão na casa dos Soares, porém, bastara a filha retornar para que mais uma vez o escândalo fosse audível.

Diovana saiu pela porta da frente, dando um pontapé para fechar a passagem atrás de si. Os gritos da sua mãe a seguiam e ela apressou o passo. A porta da casa voltou a se abrir e ela pode ouvir com mais clareza os últimos insultos daquela visita:

— E não volte mais nessa casa se não for para ajudar! — esganiçou-se a senhora de pouco mais de cinquenta anos. Seus cabelos, apesar de pontuado por fios grisalhos nascidos desde a última coloração, tinham o mesmo sentido dos de Diovana. — Ele é seu pai, Diovana! Você deve tudo a ele!

A filha estancou no lugar, a mão na maçaneta do portãozinho de meia altura que separava o jardim da rua. Seu corpo inteiro tremia. As palavras quase explodiram da sua boca para fora, mas ela as engoliu sentindo uma dor nos músculos do pescoço. Saiu sem olhar de volta para a casa e se afastou a passos rápidos e fortes.

Ela devia tudo a ele? Com certeza! Devia todos os anos de frustração e medo. Devia todo o ódio que transformara em motivação para afastar-se daquela maldita casa. Sim, Diovana devia tudo o que era aos seus pais. Os melhores pais do mundo. Aqueles que lhe olharam atravessado a cada dia que ela mostrou não ser capaz de ser a princesinha que tanto haviam sonhado criar.

Ainda com as mãos trêmulas Diovana catou a carteira de cigarros, acendendo o fumo e tragando com toda a capacidade dos pulmões, deixando a fumaça sair lentamente pelas narinas e boca.

E daí se ele estava internado? Foda-se se ele estava morrendo! Diovana já se sentia morta a muito tempo e nada lhe bastaria como vingança:

— Eu sou um monstro. — disse à si mesma, já chegando à estação onde o ônibus para a capital aguardava o horário para sair. Terminou o fumo e atirou a ponta restante na lixeira mais próxima. — O monstro que eles criaram.

Dez minutos depois, já dentro do ônibus, Diovana fintou a paisagem já começando a se movimentar e seus pensamentos enfim começaram a mudar de rumo. O veículo sacudia muito. Era um modelo muito antigo e sucateado. Porém o barulho excessivo do motor se mostrou uma ótima distração.

Depois de algum tempo observando a estrada mal-cuidada que ligava o interior à capital, buscando na memória qualquer pensamento que lhe desligasse do amargor na boca do estômago, Diovana terminou por lembrar da noite chuvosa no metrô. Desde aquele dia ela havia passado a buscar com os olhos a figura daquela mulher tão simpática, sem qualquer sucesso. Provavelmente jamais a veria novamente, o que era um pouco triste. Diovana preferia deter-se em lembrar do seu semblante sereno ao ler. Era fácil, por algum motivo parecia ter gravado aquela imagem à tinta na sua memória.





Amanda observava a decoração excessivamente pomposa da sala do apartamento de seus pais. Era domingo e ela havia vindo para o almoço. Era sua rotina. Depois dali provavelmente só lhe restaria voltar para casa e gastar o restante das suas horas de liberdade com algum jogo online.

A projetista de software, de emprego invejável para sua idade, líder de uma equipe de mais de dez pessoas em uma empresa de importância no cenário regional era a típica filha única de um casal de classe média alta. Tinha seu próprio apartamento e uma quantidade razoável de dinheiro guardada no banco. Sua vida era tão tranquila que ainda era capaz de sonhar com alguma reviravolta no seu futuro.

Apesar de que, naquele momento, sua maior preocupação era terminar logo o chá, antes que sua mãe começasse a puxar conversa demais:

― Como está o trabalho, filha? ― perguntou Fátima, uma mulher de cinquenta e poucos anos que transparecia saúde. Era uma funcionária pública de cargo antigo, mas que não havia se acomodado com a vida.
― Tudo ótimo, mãe. ― respondeu Amanda, percebendo ter sido seca demais. ― Alguns projetos me fizeram ter trabalho extra, mas nada fora do comum.

― Entendo. Deve ser muita responsabilidade. ― comentou Fátima. ― E fora o trabalho, o que tem feito?

“Lá vem ela” pensou Amanda, franzindo a testa de leve, tomando um gole maior de chá, entristecendo ao ver que ainda faltava um tanto para terminar:

― O de sempre. Alguns jogos, cinema. . . Esses passatempos de cê-dê-efe. ― desconversou.

Sua mãe nada disse, chamando a atenção de Amanda, que virou o rosto para encará-la. Fátima fintava o rosto da filha com seriedade. Só aí a jovem percebeu que estava caindo na armadilha:

― Estava me perguntando se você não estaria namorando alguém, Amandinha.

A programadora levantou de um salto. A exasperação evidente na sua expressão e voz:

― O-Olha, mãe, não tem nada para falar desse assunto, ok? ― rosnou a jovem. Tinha que sair dali. Sem dizer nada se direcionou à saída.

― Amanda. ― chamou a outra mulher.

Amanda parou, a mão já na maçaneta:

― Você sabe, eu estou aqui para ouvir o que você precisar me contar. Você sabe disso, não é filha? ― disse Fátima, a voz grave.

― Não tem nada pra ser dito, mãe. ― respondeu Amanda, saindo e batendo a porta um pouco mais forte do que esperaria.

Já no elevador, Amanda ainda podia ouvir ressoando as últimas palavras da sua mãe. Aquela não havia sido a primeira, nem a segunda vez que dissera aqueles disparates.

Como se ela fosse mesmo dizer, em pleno sofá da casa onde crescera, compartilhar com a sua mãe as suas desventuras amorosas. Não tinham ninguém para apresentar aos genitores. E mesmo que tivesse, como o poderia fazer?


[Continua]
quarta-feira, 18 de novembro de 2015
Posted by Lilian Kate Mazaki

Review - Mars no Kiss

Olá a todos!

O que é o amor verdadeiro? Mars no Kiss (Kissing Mars, em várias traduções para o inglês), um mangá volume único de Kishi Torajirou (autor também de Virgin’s Empire) se propõe a contar a história de descoberta da jovem Yukari sobre o amor verdadeiro e sobre si mesma. Uma obra curta, em 4 capítulos, mas que consegue transmitir profundidade e sensibilidade enormes.




Yukari é uma jovem rebelde, que vive brigando com a mãe, usa unhas compridas, encurta as saias do uniforme, passa uma imagem de descolada e tem um namorado mais velho, com quem já tem uma vida sexual ativa. Seu mundinho de aparências estava caminhando normalmente, entre brigas e aventuras com o namorado, até o dia da mudança de lugares na sala de aula.

É assim que, forçadamente, Yukari se torna colega de lugar com Miki, uma garota calma, estudiosa e comportada. A aversão de Yukari por Mika é imediata, mas o destino tratou de colocar uma situação inesperada para começar a mudar aquele convívio conflituoso da “garota cool” com a “nerdona virgem”.

Um beijo de Marte.



Pouco a pouco, uma amizade vai se formando entre Yukari e Miki. Yukari sempre falando sobre suas experiências com seu namorado e esclarecendo as curiosidades da outra. Um convívio que começa a despertar em Miki sentimentos que ela jamais imaginara antes.

Mika é uma garota pura, sonhando em se apaixonar verdadeiramente algum dia. Para ela, ter um relacionamento e o verdadeiro amor são coisas distintas e vale a pena esperar até o dia em que esse segundo enfim chegue ao seu encontro. Yukari não pode evitar começar a comparar sua própria vida, seus valores e comportamento, diante da atitude da outra. De repente ela começa a perceber uma solidão que a estava destruindo sem nem ter compreensão de tal.

Ela estava só. Ou estaria, se não fosse por Mika.




Mars no Kiss transmite, em suas páginas e especialmente na sua conclusão, um sentimento dúbio. Nem tristeza, nem alegria, mas um pouco de ambos. Um final conclusivo para aquela etapa da vida de Yukari. Ela jamais seria a mesma novamente depois daqueles acontecimentos. Mas ao mesmo tempo um final aberto a todas as possibilidades do mundo.

O traço de Yukari é bastante agradável e sólido, pouco comum dentro do yuri, capaz de transmitir uma gama de expressões variadas e realistas. Particularmente minha experiência com a obra foi ótima e até surpreendente, quando descobri ser do mesmo autor de Virgin’s Empire (aquele mangá que você começa a ler e acha que é um fanservice sem sentido, mas depois já está totalmente dentro da leitura), pois Mars no Kiss tem um aprofundamento psicológico na protagonista incrível, algo que na outra obra não é tão presente (até pela quantidade reduzida de páginas dos capítulos do Virgin’s).

Mars no Kiss está inteiro traduzido em inglês (disponível em vários leitores, inclusive no Dynasty Reader) e também em português (traduções do Moonlight Flowers, atualmente inativo, mas ainda disponível para leitura online em alguns endereços).




Pra quem curte uma trama realista, até certo ponto séria, mas sem apelar para aquela carga dramática enorme, ou para quem gosta dessas tramas de descoberta pessoal, a recomendação é mais do que certeira. Mars no Kiss será uma leitura curta, mas, quem sabe, daquelas que não se vai mais esquecer.

Por hoje, era isso.
Até a próxima!

segunda-feira, 16 de novembro de 2015
Posted by Lilian Kate Mazaki

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