Archive for 01/01/16 - 01/02/16

Os Yuris de 2015 (Parte 02) - Quadrinhos

A Se-chan está aqui para continuar a postagem sobre os Yuris (ou séries lésbicas) que bombaram em 2015! Sei que demorei um tempo pra voltar para essa postagem, mas espero que me acompanhem!

Relembrando, o KaS tem que manter a tradição que começamos ano passado falando dos animes/mangás/etc com temática lésbica que passaram pelo mundinho da Se-chan. Talvez eu esqueça de citar algo, mas é por que eu não li, então me ajudem nos comentários dando uns conselhos do que ver/ler, ok? (obrigado!)

Citrus
O mangá que já estava bombando na galera continua popular. Apesar de Mei e Yuzu não terem praticamente evoluído em seu relacionamento quase-incestuoso, a arte continua maravilhosa, e as frases bregas da protagonista continuam a soar engraçadas nos momentos mais dramáticos. Pode até parecer implicância minha, mas essas cenas sem noção da Yuzu são minha parte favorita do mangá, por acaso. Sempre fico rindo. Pode ser meio vergonha alheia as vezes, brega e tals, mas ela é uma boa personagem. Meu único problema com Citrus atualmente é que não entendo por que diabos elas não estão juntas direito ainda. Sempre tem que ter um drama?

Conselho: É o mangá pop da atualidade, deve ser lido por quem é fã do gênero (para se atualizar e/ou entrar nas rodas de conversa do fandom). Além da arte maravilhosa da Saburouta.

Ponto Fraco: Parece que nunca sai da mesma.

NTR: Netsuzou Trap
Mangá que veio na pegada de Citrus, Netsuzou Trap apareceu inicialmente apenas como um mangá yuri com um fanservice exacerbado, mas acabou por se fixar como uma das séries de sucessos da maior revista do gênero no Japão (Comic Yurihime). Apesar das cenas de quase sexo (algumas vezes até durante né~), NTR mostrou que não é só peitos e agarração, montando um enredo com personagens que nos importamos, e que nos deixam agoniados por cometerem erros ou agirem sem pensar.

Conselho: Se você não se incomoda com algumas cenas "quentes" no meio da história, leia com certeza. Maravilhoso, estou ansiosa pelos próximos capítulos!

Ponto Fraco: Vai ser publicado nos Estados Unidos e não estou com dinheiro para comprar no pre-order (XD).

The Real Her
Era um dos meus mangás favoritos. Foi finalizado em 2015 depois de 2 volumes, mas era super engraçado e mostrava personagens abordando S&M, o que deixava a interação das protagonistas fantásticas, por que era uma masoquista super viciada e 'conhecedora' das coisas, enquanto a outra é uma tsundere sadista natural que não tem ideia de nada sobre o assunto. Imagine a mistura. MELHOR COMÉDIA.

Se você não se importa com piadas mais adultas, ou procura justamente algo mais para esse lado, pode ter certeza que The Real Her (ou Honto no Kanojo) é a melhor coisa que lerá. Piadas hilárias, e apesar de as vezes repetir a formula nos capítulos, vemos dias personagens que evoluem no pouco tempo que há de trama. Deixou saudades.

Temos indicação do mangá aqui no blog!

Conselho: Leia, ria e venha me agradecer depois. (além de já estar finalizado)

Ponto Fraco: Gostaria que fosse maior e abordasse a evolução da sadista mais.

A Kiss and a White Lily for Her
(Ano Ko ni Kiss to Shirayuri wo)
Tá aí uma das minhas paixões de 2015. AnoKiss é daqueles mangás que você os volumes sem parar, até chegar no mais recentes e começar a chorar por que não tem mais. A história básica, de uma menina tsundere esforçada que quer ser a melhor da turma e não consegue por que tem uma gênio que sempre fica na frente dela, e que começam a se envolver é simples, mas funciona. E nem é necessariamente por causa das protagonistas. A verdade é que AnoKiss se sustenta nas personagens secundárias.

Ele me lembra Marimite, sabe? Aquele anime que a gente via um monte de histórias de personagens secundários e que as vezes as protagonistas mal aparecem? Pois é, acontece o mesmo nesse mangá. Nossa, as histórias da menina do atletismo e a melhor amiga dela são as melhores. É maravilhoso, lindo, você se apaixona e torce pelas meninas. Fantástico trabalho da autora.

Temos resenha do 1º volume do mangá no blog!

Conselho: Leia enlouquecidamente e se junte a mim pela busca pelo download do CD Drama (tpo de rádio novela gravado da série).
Ponto Fraco: Protagonistas meio chatas e enjoadas.

Eventually, I will become yours
(Yagate Kimi ni Naru)
Se AnoKiss era meu vício no meio do ano de 2015, "Eventually" roubou o posto. Não sei se foi por sua simplicidade, ou suas protagonistas, mas me apaixonei pela obra no primeiro capítulo. É sensível, e mostra uma menina (que não é a protagonista) se apaixonando por outra, a qual não a deseja inicialmente (esta sim, a protagonista).

Acho que o que a torna diferente de outras obras possa ser justamente este ponto de vista que a autora decidiu colocar. Tirar o foco da menina apaixonada e mostrar a que está recebendo esta declaração é muito interessante. Os pensamentos da garota, e ver ela a começar a observar mais a outra é algo indescritível e cativante.

Temos resenha do 1º volume do mangá no blog!

Conselho: Leiam e se apaixonem!

Ponto Fraco: Quero mais personagens secundários para me apaixonar! E um anime!!

Morishima Akiko
(Yurikuma Arashi e Our First Time)
Se teve uma mangaká de sucesso em 2015 foi a nossa senhora linda e de traço fofo Morishima Akiko. Além de fazer o character design para Yurikuma Arashi, faz a versão mangá do mesmo, além de estar com outra série sendo lançada ao mesmo tempo (a coletânea Our First Time).  Por isto mesmo, esse ano comecei a ler várias coisas dela, e tenho que dar destaque para seu vício por office ladys fofas, como em A Lapis-Lazuli Blue Dream, ou no compilado de Office Romance: Women's Division, sempre com histórias de romances leves, que não tem pegada muito de drama.

Morishima-sensei necessita ser conhecida gente! Ela é maravilhosa, com um traço lindo e com um talento magnífico para histórias adultas de comédia romântica, além de saber desenhar muito bem cenas de sexo sem parecerem vulgares. A senhora é poderosa~~

Conselho: Comece pelo Holy Girl Paradigm, que tem em português pelo parceiro Gokigenyou, ou por Hanjuku Joshi ou Ruriiro no Yume, que foram traduzidos pelo também parceiro S2 Yuri!

Ponto Fraco: Não vejo a valorização dela no Brasil, mesmo depois de Yurikuma Arashi.

Takemiya Jin
(Omoi no Kakera e Steps)
Se tem uma boa artista a qual eu me afeiçoei este ano foi a querida da Takemiya Jin. Além do traço maravilhoso e único, suas histórias realistas, mas que sempre tem uma boa mensagem por trás, me encantaram. Ela não está com muitos projetos (até onde sei) além da coletânea Steps, mas amei ler obras como Seasons e Fragments of Love (aka Omoi no Kakera).

As temáticas as vezes são um tanto dramáticas, mas acho que as coisas acabam sempre se acertando no final de suas obras. Uma coisa super legal dela é que mesmo tendo se profissionalizado, lança doujins, como Wish, de Love Live. Há várias mangakás que fazem isto, mas pelo seu traço "sério" eu não achava que ela fizesse este tipo de coisa. Foi uma descoberta divertida (até por que Eli e Nozomi ficaram lindas no traço dela~~).

Minha obra preferida dela é Irrational Us, por que tem todo o clima adulto que ela coloca em suas tramas. É meio cru e realista, tanto que as vezes você até acha que os personagens não tem sentimentos pelos outros, mas no final, você vê as reais intenções delas. Incrível.

A Beta já falou de Fragments of Love aqui no KaS!

Conselho: Comece por Seasons ou Omoi no Kakera, traduzidos no S2 Yuri.

Ponto Fraco: Falta de histórias maiores.

Their Story
(Tamen de Gushi)
Ok, eu tenho que admitir que sou apaixonada por esse web-comic lindo de morrer! Their Story surgiu para mim pelo Tumblr, o peguei bem no comecinho, e continuo esperando por cada um dos seus pequenos capítulos com o coração na mão. A arte fofa e muito bem feita, os personagens simpáticos e a trama que vai bem aos pouquinhos me deixam maravilhada. Se eu fosse fazer algo um dia, queria que tivesse essa mesma "vibração".

Conselho: Leia logo, são capítulos curtos e muito fofos! Leiam pelo AION-Scanlator.

Ponto Fraco: Ainda espero pelas protagonistas formarem um casal....

Exciting Feelings
Se você acha Tamen de Gushi lento, imagine meu desespero com Exciting Feelings, que até onde eu li as meninas nem se ligaram que uma gosta da outra! Apesar de parecer meio bobo isso, muitas vezes isso acontece, não? Bom, pelo menos é o que a obra tenta mostrar. A história é bem lenta, e para moças de universidades eu as acho meio lentinhas nesse sentido, mas eu gostei da obra. Mais uma web-série bem interessante.

Eu queria algo a mais entre as personagens, mas como estou esperando as traduções saírem, vai demorar um tempo, não?

Conselho: Ele também está sendo traduzido pelo AION!

Ponto Fraco: Haja paciência com essas duas!!

Lily Love
OW!!! Se tem alguma dessas web-séries que eu estou totalmente envolvida e apaixonada não só pelas personagens, pelo traço, pela história e pela autora (principalmente), é Lily Love! Mew e Donut são umas fofas, e a Ratana é uma autora maravilhosa que responde tudo o que os fãs comentam. E o melhor, a história anda! (e como!)

Tem o romance inicial, que a gente se surpreende de tão rápido que as personagens começam a se envolver. Além da tensão sexual, das intrigas, ciúmes, comédia, apresentação dos pais das personagens, ... NOSSA, muito bom! Continua sendo lançado, e bombou no Tumblr em 2015!

Análise dos primeiros capítulos no KaS!

Conselho: LEIA, LEIA, LEIA! Tradução pelo Resurrection Scan.

Ponto Fraco: Ansiedade pelos próximos capítulos, já que a autora disse que a série não deve se prolongar demais.

Marceline Adrift
Se você gosta de Adventure Time, enlouquece a cada sinal de Bubbline (Marceline e Princesa Jujuba) na série e gostou do que viu em Marceline e as Rainhas do Grito, você vai amar Marceline Adrift. A obra leva à outro nível o relacionamento de Marceline e Bonnibel. Elas brigam, Marceline fica literalmente à deriva no espaço, Jujuba cria um foguete para ir atrás da outra e rola um romance muito descarado durante os últimos capítulos!

A arte continua linda como na no Rainhas do Grito, e os cenários ficam maravilhosos com a colorização. E não, não vou dar exemplos das cenas românticas para vocês. Terão que correr atrás e pedir enlouquecidamente para a Panini trazer logo!

Conselho: Prepare seu coração!

Ponto Fraco: Não tem no Brasil ainda.



Bom, é isso o que eu li de mais importante em 2015. Será que alguém quer destacar mais alguma coisa? Fico curiosa para saber o que o pessoal anda lendo!

Ficou curioso sobre Morishima Akiko ou a Takemiya Jin? Leia as entrevistas que o Okazu fez com as mangakás! Aqui e aqui!

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Até logo! o/

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[Artista] Itou Hachi – Histórias de um país muito distante. . .

Olá a todos!

Hoje vamos falar de um artista relativamente novo na produção de material shoujo-ai e yuri, mas que com um estilo singular e tramas sensíveis que está tendo um crescente notável dentro do meio. Trata-se de Itou Hachi, também conhecido como Hatishiro, um autor discreto que em quase dois anos saiu dos primeiros doujinshis e agora está trabalhando em duas séries shoujo-ai para revistas distintas. Boa parte desse sucesso oportunizada pelas suas tramas românticas e delicadas sobre “as meninas com orelhas de raposa que podem se casar”.



Seu primeiro doujinshi yuri de destaque foi Gouhou Yuri Fuufu Hon (em inglês conhecido como Legally Married Yuri Couple) e já contra com três oneshots sequenciais. Nele acompanhamos um pouco da vida de Haru, casada à pouco mais de meio ano com uma escritora de romances a qual ela chama apenas de Sensei.



Essa trama acabou sendo a introdução do que se tornou um universo de histórias do autor. Histórias que começam sempre com os mesmos dizeres sucintos:

"Essa história se passa em um país muito, muito distante. Um lugar onde as pessoas possuem orelhas de animais sobre as cabeças e, também, onde os casamentos de pessoas do mesmo sexo são aceitos legalmente."


Haru se vê diante do seu relacionamento de pouca intimidade com Sensei e se questiona se isso seria natural para um casamento arranjado. A jovem dona de casa busca fazer seu melhor e não ficar no caminho de sua esposa, a quem tem uma admiração profunda. Com o tempo, os acontecimentos levam Haru a perceber que ama verdadeiramente a pessoa com quem se casou. Logo, sua mania de inferioridade perante Sensei se torna um obstáculo, mas que é superado com sensibilidade pelo casal e então Haru e Sensei enfim conseguem compreender os sentimentos uma da outra. 

Parte do capítulo 1

Quadro do capítulo 2

(Essa ainda é minha história favorita do Hatishiro, tenho que dizer à vocês.)

Seguindo nos doujinshis temos Shuujuu Yuribon (em inglês Mistress-Servant Yuri Book), uma trama fechada sobre uma jovem senhorita de saúde frágil e Ritsu, sua serva que lhe cuida e nutre um sentimento profundo pela mesma. A história é simples, mas a maneira como o autor desenvolve os sentimentos das personagens é mais uma vez o destaque e isso envolve o leitor de maneira integral. 

Capa do Shuujuu Yuribon

Chiyo-chan no Yomeiri inaugura uma tendência das tramas de Itou Hachi que só vem se consolidando com o passar do tempo: o age gap puro e idealizado.

Para quem não sabe, age gap é o termo utilizado para histórias onde um casal de personagens possui uma grande diferença de idade. No caso de Chiyo-chan e Chi-chan essa diferença é enorme, pois a pequena protagonista tem apenas 11 anos e sua grande amiga tem 26.

Apesar da controvérsia que poderia se gerar pela adoção de um casal com tanta diferença de idade, Hatichiro coloca o romance aqui de uma maneira extremamente idealizada e suave. Existe o sentimento que une as personagens, mas não há insinuações físicas que possam incomodar o leitor (o que é o caso de quase todas as obras nesse estilo do autor).

A história em si é bastante simplesmente e mostra como Chiyo e Chi terminaram com um casamento prometido para quando a pequena atingir a idade mínima legal para casar-se, que é 16 anos.

Capa de Chiyo-chan no Yomeiri

Seguindo nessa linha do age gap, porém com um tanto menos de sutileza está Goshujin-sama to Watashi (Master and Me), uma coleção de pequenas histórias de algumas páginas, além de vários extras mais simples, publicados no pixiv do autor. Não vou me estender nos comentários desta em particular por ser a obra que menos se vê o romantismo aflorado e idealizado das outras obras e também onde o age gap ganha leve conotação mais séria.

Capa de Goshujin-sama to Watashi

Já em Haru ni Furu Yuki também há protagonistas com idades muito diferentes, porém aqui o romance é esquecido em favor de uma relação de proteção por parte da Pesquisadora (essa mania de não dar nomes. . . ) para com a jovem Shiro. Nesse enredo vemos que, no país onde as pessoas possuem orelhas de bichos, quem nasce sem essas orelhas é considerado diferente e normalmente possui habilidades sobrenaturais.

No caso de Shiro essa habilidade é perigosa: ela é capaz de sugar a vida de tudo o que toca com as mãos. Esse poder acabou por tirar a vida de sua irmã mais velha, há alguns anos, e também a conferir-lhe a fama de ser uma criança maldita, pois desde a morte da irmã, toda aquela região foi tomada por um inverno infinito.

A Pesquisadora e busca por Shiro para investigar a natureza de seu poder. Apesar da resistência da mesma à uma aproximação, além da pressão das pessoas da cidade para que não chegue perto da “criança amaldiçoada”, a Pesquisadora percebe que os poderes de Shiro são bem mais complexos do que “tirar a vida” e talvez estejam em uma direção bem distinta. Assim sendo ela convida a pequena para ir morar com ela, na sua cidade, onde poderão utilizar o laboratório para pesquisas.

Essa é uma das tramas com pano de fundo mais complexo até então do autor e termina deixando todo um futuro para ser resolvido. Por ter sido publicada de maneira independente, em forma de doujinshi, apenas o tempo poderá dizer que o autor terá a chance de dar continuidade ao enredo. Segundo suas próprias palavras ao final da obra, a sua vontade é de que isso ocorra de fato.

Capa de Haru ni Furu Yuki

Saindo um pouco do mundo das garotas com orelhas de raposa, mas ainda falando de mundos fantásticos, temos um oneshot publicado na Revista Hirari chamado Kami-sama no Susumori. Uma trama surreal onde um pássaro fêmea (sim, um passarinho bicho mesmo) recebe a dádiva de uma deusa para tornar-se humana e assim poder buscar a humana que no passado lhe salvara a vida. Apesar dos problemas que tem para compreender Chloe, a médica humana que lhe salvara, Neru, a protagonista, consegue realizar seu desejo de estar com sua salvadora.

Primeira página de Kami-sama no Susumori

Fora da fantasia mesmo está outro doujinshi do autor, Haru no Minuet, onde temos uma ambientação escolar. Não surpreende a sensibilidade de mais essa obra, onde um tema delicado como a deficiência entra em foco. Takako é uma menina surda a qual seus colegas ignoram em sala de aula. Nao, por sua vez, não consegue deixar de interessar-se em conhecer mais daquela menina solitária. As duas desenvolvem uma profunda amizade, aprendem uma com a outra e descobrem gostos em comum. O enfrentamento com a realidade do isolamento é tocada bem de leve é superada com positividade. Mesmo sendo um oneshot esse é mais um enredo que fica com toda a cara de que poderia ter muito mais sequências.

Página colorida de Haru no Minuet

Seguindo nas tramas escolares temos o oneshot White Lily and Spring Aster. Essa trama se passa na Academia Renge, uma escola com forte sistema de castas sociais e a desigualdade de tratamento e tarefas entre pessoas de famílias ricas e de famílias assalariadas comuns é enorme. Nesse lugar temos Sayuri, a senhorita refinada e admirada por todos, e Kohaku, uma garota comum.

A trama gira em torno do processo de aproximação de duas pessoas com vidas extremamente distintas e no modo como a superficialidade da esnobe Sayuri vai dando lugar a um senso de igualdade e realidade para a mesma.

Primeira página de White Lily and Spring Aster

Por fim, vamos entrar nas duas obras de Itou Hachi mais recentes, serializadas em antologias de mangá.

A primeira delas é Sayuri-san no Imouto wa Tenshi, que iniciou sua publicação em 2014 na revista Comic Flapper (mesma revista de obras como Candy Boy. Também é a mesma editora da Comic Alive). Aqui temos uma comédia com toques de fantasia, ambientada no japão moderno. Infelizmente, apesar de já possuir três volumes compilados, não temos maiores informações disponíveis em inglês. De qualquer modo, através de alguns capítulos sem tradução podemos perceber que trama possui traços de age gap.

Capa do primeiro compilado de Sayuri-san no Imouto wa Tenshi,

E então chegamos à Tsuki ga Kirei Desu ne, iniciada no final de 2015 na Comic Yurihime 2015/09. Aqui temos a retomada do país fantasioso das orelhas de raposa e casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Aliás, numa sacada inteligente Hatishiro colocou uma auto-referência muito apropriada, logo na segunda página da sua nova obra.

Página dupla colorida, do primeiro capítulo de Tsuki ga Kirei Desu ne  
(Observação de fangirl: notaram a Haru e a Sensei fazendo uma pontinha ali no segundo e terceiro quadro?! Que lindas!!!!)

Aqui temos a história de Chiru e Senri, duas jovem com uma certa diferença de idade (não tão grande quanto em outras obras, mas ainda acentuada) que estão comprometidas para casarem-se assim que Chiru atingir seus 16 anos. Nos dois primeiros capítulos da série temos a retomada de todos os pontos de sentimentalismo idealizado e sensível que se veem nas obras predecessoras do autor. Mesmo no enredo vemos vários detalhes que são inspirados nas obras que citamos anteriormente.

Página do primeiro capítulo de Tsuki ga Kirei Desu ne


Estando serializado na Yurihime o mínimo que teremos para Tsuki ga Kirei Desu ne serão 5 capítulos (o que já é mais do que as outras histórias de garotas com orelhinhas, como a Gouhou Yuri Fuufu Hon), porém não dá pra descartar que a série vá ter pelo menos dois volumes (ou mais, afinal várias obras da Yurihime estão prosperando a esse ponto. Que nos diga Citrus – 4 volumes – e Yuru Yuri – 14 volumes!). O enredo construído tem tudo para se desenvolver sem pressa, com a mesma graça que já se viu nas outras obras do autor.

Entrando em especulações, seria ótimo se o autor desse espaço para fazer referência aos outros casais criados nas obras anteriores, nesse mesmo universo, ou mesmo para casais novos. Levando em conta a maneira que Hatishiro leva sua narrativa, creio que esses mini-arcos não degradariam em nada a série, apenas teriam a acrescentar.
 
Conclusão

Itou Hachi já comprovou inúmeras vezes sua qualidade enquanto artista de mangá, especificamente de mangá yuri, por isso é extremamente gratificante ver suas obras ganhando espaço em revistas de serialização.

Para quem adora romance em sua forma mais sensível, a recomendação desse autor é mais do que instantânea. Dá próxima vez que vocês virem um mangá yuri com meninas em traje de época e orelhas de raposa, se for de Itou Hachi, vocês já saberão que algo muito bom deve estar presente ali.

Falando de modo bem pessoal devo dizer que esse autor (ou autora, afinal não há identificação do gênero dele em nenhum canto) entrou com segurança para o grupo de mangakás pelos quais tenho profunda admiração. Quando o artista chega ao ponto de fazer uma dezena de enredos específicos, todos com qualidade e emoção em destaque, é preciso admitir que ali temos alguém de muito talento para a narrativa e que sabe como tocar o público das suas obras.

Espero que tenham curtido essa ideia de trazer comentários sobre autores e suas obras. É algo que venho querendo fazer há tempos para o blog. Quaisquer sugestões para futuras postagens nesse estilo (como qual autor gostariam de ver sendo comentada) deixem nos nossos comentários ou redes sociais.

Até a próxima!

[Análise] Filme - Carol



Olá pessoal! A Se-chan está demorando para conseguir trazer conteúdo ao KaS, não? Me desculpem, esse início de ano está corrido..

Mas estou aqui feliz por que tive uma grande experiência de vida há esses dias. Fui ver aqui em Porto Alegre (no GNC Moinhos, que tinha os melhores horários da cidade) o filme Carol, que tem conteúdo lésbico e é uma adaptação de um livro de mesmo nome.

Diferente de alguns textos do KaS que são mais soltos, esse aqui eu fiz muito preparada e analisando cada detalhe da obra, de um modo mais sério e "profissional". Espero que agrade e, se gostarem, começarei a fazer mais deste tipo de postagem aqui no blog.

Antes de ir para a resenha, preciso avisá-los de que sim, a postagem vai conter alguns spoilers. Tentei não falar muito, mas para algumas coisas como análise de personagens é preciso fazê-lo. Portanto, aconselho a ler a postagem após ver a obra, ok?

Então prepare-se e venha com a Se-chan!!

Análise


Abordagens

Carol se passa nos anos 50, época de muito glamour, charme e moda singular. Mas também é característico é a opressão sob as mulheres, que ainda eram vistas como donas de casa, madames, ou trabalhadoras de baixo nível hierárquico. Por mais que as pessoas vão ver o filme pelo tema LGBT, Carol nos mostra como foco central a luta de duas mulheres pela sua liberdade de expressão, independência e a busca pelos seus verdadeiros desejos.

Além disto, algo extremamente abordado é a questão da moralidade. O que é moralidade? O que se retrata é que duas mulheres não poderiam publicamente ter nenhum tipo de relacionamento amoroso e um pai poderia tirar a custódia da mãe justamente por este tipo de "padrão de comportamento", proibindo a mesma de ver a filha por uma "cláusula de moralidade". Se fosse feito o contrário, o homem traindo a esposa com uma mulher, acredito que haveria uma possibilidade de desviar desta tal cláusula. Mas o filme não aborda isto, ele não é um tipo de filme "Gay agenda" que tem como foco a politica gay. Ele é mais do que isto, pois nos dias atuais a sociedade (principalmente a americana) já passou deste ponto de retratação LGBT nas telas. É um puro filme de romance, onde duas pessoas amadurecem e acabam tendo um romance proibido, e lutam pelo mesmo.

Não menos importante, temos o período de road trip movie, onde as duas mulheres viajam e têm uma experiência única. Antes um pouco distantes, as protagonistas se conhecem profundamente, ganham intimidade e criam laços firmes. O romance floresce e o relacionamento ganha outro nível. Elas não são representadas como um casal lésbico e não há um momento sequer no filme onde as duas discutem o que sentem, se é correto ou contra normas. As duas têm consciência do que fazem, apesar da mais nova inicialmente (antes da viagem) não entender completamente o que há. Ao final, as duas fazem uma escolha que mudará completamente suas vidas (ainda mais), e se libertam das amarras de uma sociedade opressora.

Técnica

A primeira cena nos mostra o ritmo, ambientação e sonoridade do filme. Com uma trilha de piano, violino, harpa e sopros, nos envolve e nos prende logo ao começo do filme. A câmera contínua, seguindo o personagem atravessando a rua até o prédio, os ângulos da cena que nos mostra pela primeira vez as heroínas da obra, que depois vemos repeti-la por outros olhos, é uma verdadeira aula de direção. Um ciclo perfeito. Excelente direção de Todd Haynes.

A obra é regida por fotografia e trilha sonora marcantes, que nos mostram os sentimentos das personagens a partir de seus ângulos e sons perfeitamente colocados. A evolução das duas protagonistas ao decorrer do filme é mostrada justamente pela mudança de foco de personagens nas câmeras. Inicialmente vemos Therese encantada com aquela mulher mais velha, firme e madura. Ao fim, nos deparamos com Carol notando a maturidade da mais nova, e sua evolução de jovem crua para uma mulher que criou barreiras contra obstáculos sentimentais. E a fotografia ganha destaque também por culpa do roteiro, que nos encaminha de uma Therese quieta e que se deixava levar pelos outros, há uma mulher que diz seu primeiro "Não" logo ao final do filme.

Isto nos leva há outro ponto: a importância das falas e onde as mesmas são colocadas. Muitos filmes pecam pelo exagero ou excesso de explicação nas falas. É o completo contrário em Carol. As falas são muito importantes, fazem personagens secundários ganharem importância e cortam diálogos didáticos sobre a sociedade da época. A entrega aos sentimentos são sem as palavras padrões, e algumas das mais importantes falas são ditas instantes antes do final da obra. Muitos detalhes também são colocados em plano de fundo ao instrumental do filme. Por exemplo, Carol diz que ama a neve por baixo de um instrumental quando está levando Therese para sua casa. Logo que chegam, a madame vai ao encontro de sua filha, a qual a chama de "floco de neve". São essas minúcias que dão ainda mais valor à obra.

Personagens

Sei que Carol é uma adaptação de um livro com subtítulo "The price of salt" ("O preço do sal", em português), trazido para o português pela editora L&PM. Mesmo assim, a adaptação do texto (o qual ainda não tive a oportunidade de ler) aparenta ser muito bem feita, e com poucas mudanças (como Therese ser virgem ao início do filme).

A protagonista inicial, Therese Belivet (interpretada por Rooney Mara), é uma vendedora em uma seção de brinquedos sem interesse em seu trabalho e em seu namorado, que constantemente tenta convencê-la a casar-se com ele. Vemos uma personagem introspectiva, desinteressada no mundo, que fotografa coisas inanimadas e se deixa levar pelos outros facilmente. Ao conhecer Carol, conhece finalmente alguém que tenta entender mais profundamente o que passa em sua mente, que a pergunta a todo momento sua opinião. Enquanto outros têm esta visão de uma Therese inocente, Carol a vê como uma mulher, ainda em desenvolvimento, mas ainda uma mulher que pode ter sim idéias próprias e independente. Além disto, as tentativas de sedução da mais velha são totalmente inversas ao que os homens do filme tentam com a garota. Os toques sutis, as conversas e perguntas, tudo colocando o foco na jovem.

A parte mais importante a se comparar em Therese durante o filme são as cenas de final de namoro à de primeiro sexo com Carol. Primeiro, o convite de Carol para viajar com ela foi o estopim para o término com seu namorado, que até tenta dizer-lhe que está numa "paixonite", e a mesma responde que "nunca esteve tão acordada na vida". Foi o primeiro passo para sua independência. Além disto, o homem desata dizendo que "até a pediu em casamento". Therese apenas responde dizendo que "Talvez o problema seja este, eu nunca lhe pedi nada". E este é o real ponto a prestar atenção. Sim, aquela garota que falou isto, é a mesma que quando recebe o primeiro beijo de Carol, diz "me leve para a cama". Sim, o primeiro pedido de Therese. Após estes dois, além da quebra de contato com a mais velha na parte final do filme, são as mais importantes para vermos esta evolução da personagem.

A atuação de Rooney Mara é sóbria e ganha destaque nesses detalhes. Além do final, onde deveria ter sim uma completa dissociação com a personalidade inicial da garota, que foi feita perfeitamente. Não é o papel que mais se tem destaque no enredo, mas que como nosso foco de visão inicial da trama, deveria ter sido feito corretamente. E a atriz deu conta do recado.

Enquanto isto, Carol Aird (interpretada por Cate Blanchett), que aparenta ser uma mulher independente, que vive muito bem, sem problemas, é na verdade controlada pelo marido, o qual não ama. Sim, ela o traiu e o mesmo sabe disto, e a suborna com a filha para impedir o divorcio. O clima na casa vai ficando cada vez pior com o homem, e após a viagem, vemos uma Carol frágil física e psicologicamente. Sem ver a filha, a mulher perde suas forças e esperança.

Quando se depara com Therese, se encanta. Dá atenção a mulher, a trata como dama, algo precioso. A única pessoa que vemos Carol dar importância ao decorrer do filme como dá a Therese é sua filha. Sem as duas, a mulher madura se desfaz, vira uma lembrança do passado. Carol, que apelida suas amadas de "floco de neve" e "anjo caído do céu", vê em dado momento que na mente de seu marido, se ele não pode tê-la, Carol não terá sua filha. Mas a mulher não poderia ficar sem a filha, não é? É o que pensamos quando Therese lê a carta da mais velha. Porém, ao final do filme, também transformada, Carol (em seu limite emocional) abre mão da custódia de sua filha para poder finalmente ter a sua tão necessitada liberdade. Ela terá finalmente as duas garotas de sua filha. Será? O final do filme eu deixo que vocês mesmos vejam e não tenham a devida emoção tirada por minha pessoa.
A interpretação de Cate Blanchett é impecável. Seus detalhes, expressões, improvisos, todos dão mais profundidade, peso à personagem. Ela, assim como Carol, têm mais destaque do que a outra atriz/personagem. É o centro da atenção do espectador, e nos deixa estasiados como Therese. Além disto, Cate Blanchett também é produtora executiva do filme. Talvez por isto também a vemos tão empenhada e apaixonada pela obra.

E isso que nem falei da química das atrizes no filme. É divino, de outro mundo. Sem mais.

Tudo o que tenho para a obra até agora são elogios. Vi a seção estasiada, vidrada, apaixonada. Escutei cada instrumental, vi cada detalhe. Não sei se esta será a mesma que você leitor(a) terá, mas digo para preparar seus olhos e ouvidos, pois se prestar atenção, esta pode ser uma das melhores seções de cinema que poderá ter em anos. Pelo menos eu espero que seja.

Por Fim

Carol é um excelente filme, que contém duas protagonistas muito cativantes onde você pode se espelhar muito se tiver tido algum tipo de experiência próxima à delas. De igual qualidade é a química entre as atrizes, que envolvem o filme de uma atmosfera amorosa até o ápice. Além disto, achei os personagens de apoio (mesmo os que não aparecem muito) bem feitos e carismáticos.

Na minha opinião, claro que o filme gira muito só em Carol e Therise, e que poderia ter mais momentos entre Carol e sua filha. Porém, acho que é justamente vê-la pouco com a menina que nos deixa agoniados junto da mulher pela recuperação do direito de visitá-la.

E uma das melhores coisas da obra é sua capacidade de nos convencer de sua veracidade, pois o que vemos não parece um filme gravado em 2015 que tenta parecer os anos 50, mas sim que tudo se passa verdadeiramente na época. A caracterização, ambientação e sonorização do filme são perfeitos para este objetivo.

Pode parecer coisa de fã de filmes lésbicos, mas Carol está no meu coração pelo modo de sua retratação do tema e sua capacidade de empatia em mim. Gostaria de saber se mais alguém teve este sentimento, e se não, por quê.



A única coisa que poderia mudar, levemente, seria a "vilanização" dos homens no filme. Não me deixou inquieta ou incomodada, mas não sei o que um homem "cis hétero" acharia disso.

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Análise - Comic Yurihime 2015/11

Olá a todos!

Apesar do fandom yuri ao redor do globo ser bastante dedicado ah. . . Bom. . . “obter” mangás yuris digitalizados para então traduzí-los e disponibilizar a todos que não tem conhecimento em japonês ou mesmo acesso à esses arquivos, é indiscutível que nós, fãs do estrangeiro, sempre estamos alguns passos atrás do momento do mundo dos mangás yuris em publicação.

Foi a intenção de diminuir em alguns passos essa distância que tomei a decisão de começar a importar a Comic Yurihime, maior revista de mangá yuri atualmente, de forma regular. É um processo demorado, visto que faço através de uma importadora especializada, que trás tudo via navio, o que faz levar alguns meses (Mesmo assim, agradeço do fundo do coração ao pessoal da Fonomag por serem sempre prestativos e eficientes). Também é caro, mas não teria como ser diferente se tratando de uma publicação do outro lado do planeta.

Ainda assim, agora que a primeira edição da Yurihime chegou em minhas mãos posso dizer que não poderia ter tomado atitude mais acertada como fã e também como singela blogueira que também quer ver a cultura yuri mais espalhada por esses lados do mundo.

A parte boa dessa história é que, com esse material em mãos, não teria como não trazer a vocês, queridos leitores do Kono-ai-Setsu, o máximo de impressões e comentários possíveis sobre “a revista dos sonhos de todas as yurijoshis e yuridanshis”. Vamos nessa!

Análise – Comic Yurihime 2015/11


No momento em que tirei a revista da embalagem reforçada da importadora a primeira coisa que me veio a cabeça foi: uau! Ela é enorme como as revistas shoujo/shounen! E veja a qualidade dessa capa!



Há mais ou menos um ano a Yurihime mudou seu projeto gráfico para algo mais aproximado do estilo moe que fez sua, até então, obra mais bem sucedida (Yuru Yuri) e confesso que, apenas olhando os prints pelo site da Ichijinsha (a editora) não vinha achando essa mudança muito boa. Porém, com ela em mãos, e depois de folhear seu interior, esse visual passou a me agradar bastante. A arte da capa é colorida de uma maneira muito agradável e a qualidade da impressão desta, da contra capa e das folhas coloridas internas é espetacular.



Falando ainda em qualidade física, não apenas na parte colorida, mas em toda a publicação, que é feita em papel jornal com uma qualidade bem superior a das revistas semanais japonesas (o que é bem comum, visto que a Yurihime é bimestral). Além disso, um detalhe extremamente importante para deixar a leitura agradável é a qualidade de impressão das obras sobre o papel. Aliás, é essa qualidade da tinta e adesão da mesma sobre o papel uma das coisas que mais me chama a atenção em relação às versões brasileiras de qualquer mangá. Isso faz toda a diferença.

Enfim, abrindo a edição encontramos o sumário e. . . Nossa! Quanta coisa!



Após isso encontramos algumas páginas onde produtos derivados de Yuru Yuri estão em destaque. Nada mais natural, visto que na época a exibição da terceira temporada da série ainda estava bem recente. Confesso que não sei se resistiria a todos esses goodies fofos que eles fazem, se estivesse lá no Japão para comprar com facilidade!

Bom, seguindo. . .

Temos então o primeiro mangá da revista e um que eu nunca tinha ouvido falar: Tachibanakan to Lie Angle da mangaka Merryhachi. Uma obra que de cara se mostra como uma comédia com personagens bastante vívidas. Essa foi a primeira surpresa, afinal nunca tinha achado nada nela nos scans da vida. Uma obra curiosa, que parece que vai ficar apenas no slice-of-life e personagens cheias de graça, o que dependendo, pode até ser o suficiente para uma série bem sucedida.



Nesse ponto vocês podem estar se perguntando: Tia Mazaki (senti-me a verdadeira idozinha clichê), mas você consegue ler japonês é? Por isso não precisa nem esperar scan?

A resposta, infelizmente, não, eu não sei japonês. Sei mal o hiragana e katakana. Porém a vontade de ler mangá me faz gastar algumas horas em cada página nipônica à minha frente, fazendo busca em dicionário e arranhando o pouco que já absorvi. É um processo cansativo, mas é aquelas coisas que fanáticos fazem, não é mesmo? A Yurihime ainda tem a complicação de não possuir furigana (aqueles kanas pequenos ao lado dos kanjis, que dizem a pronúncia correta dos mesmo. Isso excetuando nomes de personagens, que mesmo em mangás juvenis aparecem os furiganas na primeira aparição do nome naquele capítulo).

Ainda assim, mangá é uma coisa bem fácil de se compreender, se comparado a textos mais longos de light novels e livros. A profusão de imagens expressivas, linguagem corporal das personagens, o uso de vocabulário simplificado e com muita repetição. Todas essas coisas servem de atalho para um entendimento universal nos quadrinhos.

(Alongando o comentário: Lembro de uma passagem de um dos livros do quadrinista e teórico de quadrinhos americano, Scott McCloud, onde ele relata seu primeiro contato com o mangá japonês e sua fascinação por aquelas imagens e personagens. Ele não tinha qualquer conhecimento do idioma, claro, nem de kanas, mas aquelas obras se comunicaram com ele ao ponto de ele perceber de imediato o universo de possibilidades que aquelas produções tinham e poderiam um dia revolucionar o mercado americano e mundial.

Entenderam o que quero dizer? Claro que saber japonês é importante, mas nem sempre deve ser o ponto de partida para se lidar com uma obra. No nosso caso específico)

OK, EM FRENTE!

O segundo mangá da revista é o Yurijoshi Side:G, de Kurata Uso. O autor de Yuri Danshi aparentemente começou uma série de spinoffs da sua obra mais famosa, agora pelo ponto de vista de várias das personagens que aparecem na série.
Aliás, ao ver esse nome. . . Yurijoshi, fiquei abismada. Como ninguém desses lados do mundos tinha chamado as fás de yuri desse jeito? Acho que vou adotar (junto com o Yurikô). A obra é bem pequena e mostra um dos primeiros pares que aparecem na saga do louco fã de yuri que protagoniza Yuri Danshi. Nada de especial a comentar, a não ser a arte, sempre bem peculiar do Kurata Uso.



O próximo mangá foi uma feliz surpresa: trata-se do Tsuki ga Kirei Desu Ne de Itou Hachi (Hatishiro). Uau! Sou hiper-fã da arte desse artista (que não identifica seu gênero) e suas tramas são todas muito delicadas e sensíveis. Tsuki ga está no seu segundo capítulo nesta edição 2015/11 e confesso que fiquei um tanto confusa para lembrar das personagens (o primeiro capítulo já foi disponibilizado em inglês pelo Yuri-ism, fica a dica), mas isso se deveu também ao único defeito que consigo atribuir às obras do Itou Hachi: o excesso de beleza do traço torna as personagens todas muito parecidas. Ele (ou ela) parece ter um temor de arriscar na variação de rostos e estilos de cabelo, o que gera certa confusão para quem ler suas obras de maneira salteada.

A trama parece estar evoluindo em um ritmo lento de romance, como é bem característico de suas obras. Estou ansiosa para mais disso! (E também um tanto confusa, afinal achava que o Hatishiro estava publicando em outra revista também . . .)



SEGUINTE, ou melhor, seguinte do seguinte, já que temos mais um mini-capítulo de Yurijoshi (side:h dessa vez): Last Waltz, de Katakura Ako. Outra obra que não tem ainda volume fechado, ou qualquer informação traduzida. Com uma arte pouco rebuscada, transmite dramaticidade em suas páginas e mostra um conflito forte entre as protagonista em um rapaz, numa espécie de triangulo amoroso bastante forçado (por parte dele).

Obra mais séria, seria ótimo vê-la com mais presença daqui pra frente.



O próximo mangá (depois de mais um Yurijoshi) é Honya no Hito de Furukawa Itsuki (mais uma obra da qual não temos qualquer informação em inglês). A obra possui três personagens centrais, possui uma arte fofa e usa vários elementos visuais que remetem a uma comédia slice-of-life com inspiração nos trabalhos da Namori. Pouco mais tenho a dizer deste, mas espero que próximos capítulos (e a melhora da minha leitura) me ajudem a esclarecer mais deste mangá.

Depois temos um oneshot de vinte e quatro páginas chamado Tomodachi Apuri de Numachi Doromaru (transcrição literal dos kanas, já que não já página no Mangá Updates nem dele nem do autor). A trama, com traço bastante agradável, gira em torno de uma amizade que surge através de um aplicativo de celular (algo como uma rede social, enfim. . .) e vai ganhando uma intensidade rapidamente. Trabalho bem interessante, com certeza lerei com muita calma (e com todos os dicionários do lado).



Após isto, enfim temos um dos carros-chefe da Yurihime: Yuru Yuri, com dois capítulos que já estão disponíveis no volume 14 da série. O humor da série é tão familiar aos que conhecem a série animada e o material já traduzido que essa é de longe a obra mais fácil de compreender sem tradução.

O destaque vai para o segundo capítulo de Yuru Yuri da edição, onde existem apenas falas na primeira e última página. Todo o resto é focado em uma ação non-sense impagável. Namori é realmente uma das artistas mais talentosas e inventivas do yuri atual.



Saindo da comédia, mas continuando nos mangás mais “poderosos” da Yurihime temos Netsuzou Trap – NTR de Kodama Naoko. Primeira obra até então dessa edição que, não apenas tem informações em inglês como está com os scans em dia! Esse sexto capítulo já está a disposição em inglês há algum tempo, ainda que não tenha ainda saído em volume fechado (isso me levanta o questionamento de como eles escaneiam algo da revista e não logo toda. Enfim. . . ).

Desse mangá nem preciso falar muito. Ele já foi licenciado nos EUA e começará a ser publicado pela Seven Seas em Setembro. Vocês podem conferir as impressões da Se-chan sobre a obra aqui no blog mesmo (http://konoaisetsu.blogspot.com.br/2015/12/noticia-ntr-netsuzou-trap-sera-lancado.html).



Em frente.

CITRUS, OH, CITRUS. O retumbante sucesso dentro do público, Citrus (Saburouta) aparece na sequência desta edição da Yurihime, no que parece ser “o bloco dos mangás sexualmente tensos”. Esse também é um capítulo já disponível na internet, o 17.5. Aliás, um capítulo bastante brincalhão, onde toda a irracionalidade de Yuzu é colocada em primeiro plano. Bastante divertido e interessante, como se espera de Citrus.



Seguindo.

2DK, G-Pen, Mezamashi Tokei, de Oosawa Yayoi está no primeiro capítulo de seu segundo volume nesta edição (igual número do capítulo de NTR) e é um Adult Life que envolve o ofício de fazer mangá no enredo. Não esperava ver um mangá dessa natureza nas páginas da Yurihime, mas comecei a rever minha visão da linha editoral deles depois de folhear essa obra. Ela não possui nada que possa ser qualificado como conteúdo adulto explícito, mas é uma obra bem mais sóbria do que as até então apresentadas. Fiquei bastante feliz com essa amplitude e logo veria um pouco mais disso nas páginas que se seguiria.



Inugami-san to Nekoyama-san da Kuzushiro é uma obra que já ganhou certa fama fora do Japão por ter tido uma série animada em 2015 (episódios de 5 minutos), mas é uma obra que não me chama muito a atenção. Ainda assim a arte é excelente e o estilo 4-koma traz piadas rápidas com personagens de personalidades bastante extremas (como é uma característica da autora). Devo voltar com olhos mais cuidadosos para Inugami x Nekoyama no futuro, para quebrar esse preconceito que tenho com a obra (afinal, estamos falando da Kuzushiro, de LoveXDeath).

Quase todas as séries tem uma página de sumário antes do capítulo.

A seguir temos o segundo mangá me fez dar um surto discreto ao ver ali: Shouka Sou Hi (romanização livre) da Takemiya Jin! Sim, a maravilhosa Takemiya Jin! Uau! Trata-se de um oneshot com um tema complicado (ao que deu a entender, a personagem acaba vendo um antigo amor em uma jovem colegial e isso começa uma situação de envolvimento que não tem resultados simples).


Desculpe ocupar espaço com meus surtos de fangirl, mas não é incrível ter tantas autoras talentosas condensadas em um só lugar?! Essa revista só não é perfeita porque o máximo que tem da Morishima-sensei é uma propaganda da última série que ela lançou por ali.

Enfim, seguindo. . .

A obra seguinte é Kanaete! Yuriyousei da Minamoto Hisanari (autora de Wife and Wife). Um gag-mangá bem maluco com duas criaturinhas que não sei dizer se são anjinhos, ou só espíritos de algo. Parece bem divertido. Vou dar uma espiada com cuidado com tempo.



Após isso, já passando da metade da publicação (revistas japonesas são gigantes ein. Que incrível!) temos uma sessão de cartas dos leitores, fanarts e alguns comentários dos autores presentes nessa revista. Também tem a divulgação de outros trabalhos que possam interessar yurijoshis que não são da revista, além de recomendações da equipe editorial.

E então, mais mangá! E um que me deixou bastante perplexa: Shoujo Shikkaku, de Kawai Rou. Uma obra de mistério, violência, assassinato e sangue. Por ser uma obra com uma trama mais complexa, ficou bem difícil entender o panorama geral do enredo apenas observando um capítulo, mas dá pra imaginar que a Yurihime tenha aberto as portar pra uma obra nesse feitio após o sucesso de Akuma no Riddle e isso é ótimo. A diversidade de estilos está presente na revista e isso só enriquece as opções de leitura dos fãs.



Depois disso temos. . . Ayame 14, de Amano Shuninta. Minha primeira reação ao ver que era esse mangá mesmo foi algo como “What?! Aquele mangá todo fanservice da mina e suas experimentações sexuais adolescentes?! Na Yurihime?!” Pois é. Esse mesmo. Apesar de não ser uma obra que leve à sério, Ayame 14 entretem e tem seu propósito (por favor, o mundo já está cheio demais de ecchi-haters para ficarmos propagando isso de graça, né?). As traduções na internet estão bem desatualizadas, então pelo menos o conteúdo é todo inédito.



Em frente.

12-bun no Etude de Nakahara Tsubaki é um mangá que não possui informações em inglês. Parece bem promissor, com uma tomboy trompetista e um casal mais velho do que as protagonistas no elenco secundário. Deu bastante curiosidade. Talvez agora esteja às vésperas de um primeiro compilado. Isso pode ajudar a trazer mais informações aos fãs ocidentais.



Momoiro Trans de Koruri é outro mangá do qual não há nada de informações em fontes mais conhecidas (como o Mangá Updates, que foi o site que usei como referência). Um traço bem fofo e uma protagonista com todo o estilo visual que já tem se tornado um clichê yuri (cabelo negro comprido, testa visível, óculos grossos. . . Enfim, algo entre Sumika, de Sasameki Koto, passando pela protagonista de Majo to Megane e que respinga até na Kuroko, de Murcielago). Um capítulo sobre resfriado com pano para várias situações complicadas para a protagonista. Vejamos o que vem depois daí.



A obra seguinte é Sumedo Jigoku no Inferno, de Kasuga Sunao. Fiquei bem confusa ao ver um título que remetia ao inferno e um traço super fofo e positivo. Acho que a barreira linguística foi demais nesse caso. Parece haver algo sobrenatural em alguns momentos, mas não ficou muito claro. Infelizmente, não há informações traduzidas da série, então apenas poderei contar com uma leitura detalhada para captar alguma pista do que é de fato esse mangá.



Depois disso temos Prince Prince, de Aoto Hibiki. Pela observada que dei no review da Erika, do Okazu, sobre essa mesma revista, ela parece não ter gostado nada dessa obra, mas particularmente não entendi muito o motivo. Garotas vestidas de garotos e beijos entre as garotas vestidas de garotos é algo que já vi bastante em Renai Idenshi XX, então não foi algo que me incomodou. Por um momento até me perguntei se seria o mesmo autor, por causa dessa pegada, mas não foi o caso. Uma obra escolar, vários personagens e muita confusão amorosa no meio do caminho. Se é ou não promissor, os próximos capítulos talvez esclareçam.



E então chegamos ao último mangá da revista (CARAMBA!) que na verdade já apareceu antes: é Inugami-san to Nekoyama-san. Ele e Yuru Yuri tem dois capítulos na edição, talvez como uma forma de compensar o fato da Yurihime ser bimestral e isso tornar os mangás muito demorados de fechar volume.

Uau! Foi uma longa jornada por vários traços, autores, estilos e temáticas dentro do mundo yuri, não é mesmo? Devo levar tanto tempo tentando ler esses mangás que a próxima edição vai chegar antes disso!

Conclusões


Do ponto de vista técnico, a Yurihime está mais do que aprovada. Talvez seja incômodo ler algo tão grande quanto a revista, mas creio que isso é algo de hábito mesmo. Do ponto de vista de conteúdo, tenho igual satisfação com essa edição. Creio que todas as palavras ditas anteriormente são o bastante para frisar esse ponto.

É ótimo ver que a maioria esmagadora das obras presentes na Yurihime atualmente são de séries (ainda que a maioria seja de curta duração). Há alguns anos os oneshots predominavam e parecia que a revista estava condenada a não emplacar nada que fosse ser durável (o que aliás, parece ter sido o calcanhar de Aquiles de outras publicações yuris de grande qualidade, mas que pela falta de compilados individuais talvez perdesse muito da lucratividade). Ver séries começando, terminando e algumas se estendendo por numerosos volumes é um sinal de saúde para a revista e de alívio para os fãs do yuri.

Gostaria de usar a conclusão deste artigo que estive aguardando tantos meses para escrever para fazer algumas ponderações mais longas. Praticamente tudo o que direito será um ponto de vista pessoal, então sinta-se à vontade para discordar de mim em pontos ou em tudo (Ou simplesmente ignorar, vai saber o tamanho da paciência que você está no momento né).

Quadrinhos são um hobbie caro, então todos precisamos, de uma maneira ou outra, fazer escolhas do que iremos consumir ou não. No último ano venho percebendo que adquirir mangás direto do Japão são a solução que eu precisava para meu consumo de material yuri regular e atualizado. Estou plenamente satisfeita com essa decisão e continuarei comprando as Comic Yurihime por um longo tempo, indefinido até, talvez dando mais passos quando minhas condições permitirem (como, por exemplo, passar a comprar eu mesma, em maior quantidade e diversidade de títulos, sejam de magazines ou compilados).

A importação via uma loja especializada (no meu caso, a Fonomag) é o caminho mais simples para quem quer tomar esse rumo. Não é algo barato, então é preciso muita ponderação no ponto de vista financeiro para seguir algo assim.

Barreiras linguísticas, geográficas ou culturais à parte, ler a Comic Yurihime só reforçou, pra mim, uma ideia que vi pessoas como a autora Takemiya Jin colocando: o yuri é uma linguagem universal. Não importa a parte do planeta que você esteja. A arte em todas as suas formas é capaz de tocar as pessoas, passando por cima de todas as questões

Não entendam esta minha ênfase na importância do material impresso original como uma aversão aos scans. Não sou hipócrita. Vivemos em um país onde a tradução oficial de títulos yuris é ZERO, em um continente onde apenas no país mais rico (os EUA) existem ALGUNS títulos oficiais e que são tão ou mais caros de serem obtidos do que suas versões originais japonesas.

Todos temos que usar scans para conhecer yuri e vai continuar sendo assim enquanto as empresas que são “especializadas” no nicho do mangá continuarem ignorando esse segmento. Eu mesma seguirei observando diariamente as atualizações do Dynasty Reader e Yuri-ism, pois eles são fontes incríveis e que resultam do trabalho dedicado de centenas de fãs (yurijoshis e/ou yuridanshis como eu e vocês). É uma infelicidade que os artistas que tanto aprendemos a admirar através desses meios acabem não tendo qualquer retorno (financeiro mesmo) que tanto merecem da nossa parte. Mas assim será a realidade enquanto não houverem meios, não é mesmo?

Enfim. . . (que discurso longo ein? Desculpem por isso)

Comprar a Yurihime foi ótimo e espero ter conseguido passar um pouco da experiência de ter essa publicação maravilhosa diante de si à vocês, leitores do Kono-ai-Setsu. Se tiverem alguma curiosidade específica sobre a edição, deixem nos comentários que procurarei esclarecer tudo o possível.

Me foi sugerido fazer um vídeo curto, mostrando a revista em tempo real, folheando e essas coisas. Assim que possível farei isto e compartilharei aqui no blog também.

E, já fica minha promessa, trazer outro post desnecessariamente longo como este em março/abril, quando chegar a próxima edição!

Matta ne!


Referências:
Site oficial da Comic Yurihime
Lista do Manga Updates das obras já lançadas na Yurihime
Comic Yurihime 2015/11. ASIN: B013TEMWZY – acervo pessoal

Nota Legal: Todas as imagens utilizadas neste artigo são para fins de divulgação. Os direitos autorais das obras citadas pertecem à Kabushikigaisha Ichijinsha (株式会社一迅社) e seus respectivos autores.

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